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Não está fácil para ninguém - Povão se vira nos 30 para driblar a crise

Walkiria Vieira
NOSSODIA
02 mai 2016 às 10:54

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Walkiria Vieira
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Com 28 anos de experiência no comércio, a vendedora de artigos femininos Claudia dos Santos, 44 anos, considera que passa por uma fase profissional complicada. No shopping em que trabalha, a cena mais comum ela mesma descreve: "Corredor vazio o dia inteiro." A hora não passa e a cabeça fica a mil, segundo a vendedora. "A gente até entende porque o que o salário comprava um ano atrás, não compra mais. A gente liga para as clientes, avisa das novidades, mas quem comprava quatro, cinco, quando vem leva uma. Subiu água, luz, gás, produtos de primeira necessidade, então não sobra para o supérfluo, mas torço para a gente superar isso", desabafa. A vendedora de perfumes e cosméticos, Carolina Crude, 24 anos, confirma a situação. "Essa semana foi bem fraca e como nós trabalhamos com importados, sofremos diretamente com a alta do dólar." Para driblar o movimento fraco, faz promoções. "Colocamos preço melhor no que estava em estoque e focamos nas encomendas e presentes", diz. Já uma comerciante que prefere não se identificar, admite que sentiu duramente as mudanças. "Mudei de endereço para baixar aluguel e condomínio. Tomara que não piore", reflete.
Do ponto de vista da atendente de restaurante Thaís dos Santos, 24 anos, o assunto é pertinente. "Sentimos a queda do movimento até na praça de alimentação e esperamos que melhore o quanto antes", torce. A comerciária Rosani Domingues Máximo, 41 amos, considera que o primeiro trimestre está com fluxo irreconhecível. "Ainda em janeiro, com a procura por moda praia, foi razoável. Acredito que seja geral no segmento de moda e vestuário, mas não podemos desanimar".

‘No lugar do trigo, fubá para economizar’
A estudante Ana Carolina Bomba Reis, 20 anos, não faz vista grossa para os problemas. "Mudei muitos hábitos de consumo, estou mais cautelosa e como tenho compromissos, estou saindo menos de casa e gastando menos com roupa, por exemplo. Administro meu salário e é nítido como meu dinheiro já não compra mais como antes", relata. A moradora de Guaraci, Dinamar Aparecida Rodrigues Garcia, 60 anos, tem do que reclamar: "Subiu o preço da carne, da energia e quando a gente troca uma nota de R$ 50, fica se perguntando para onde foi o dinheiro", questiona. O jardineiro João da Silva, 56 anos, já sente no bolso e nas compras a realidade atual. "Meus clientes estão deixando a grama crescer mais até chamar para o serviço e lá em casa somos quatro. Por mês, é uns R$ 500 de mercado, já não somos fieis a marcas faz tempo e de uns tempos para cá troquei o trigo pelo fubá", conta. (W.V.)


Hora de manter os pés no chão
O economista e professor da Unopar, Carlos Eduardo Boni, explica que a economia é dinâmica. "Marcada por períodos que se alternam entre aumento da produção e declínio, ou seja, período de crescimento e períodos de recessão. O Brasil vive um desses períodos de recessão, com menos empregos, menores receitas para os trabalhadores e consumo comprimido pela falta de poder aquisitivo. A melhor opção sempre é ajustar o orçamento para fazer as despesas caberem dentro das receitas. Infelizmente, nesses períodos, é necessário apertar o cinto, então quem pode e consegue, deve reduzir ao máximo seus gastos e ajustar suas contas para não acumular dívidas e comprometer a retomada do crescimento", alerta. Por outro lado, o economista acena para uma perspectiva positiva. "A estabilidade política é a primeira das etapas. Depois, luta ferrenha e incessante contra a inflação. A partir disso, com estabilidade política e econômica, a economia começa a produzir e caminhar em direção ao ciclo de crescimento. E, se a economia cresce, há mais produção. Se há mais produção, há mais emprego. Se houver mais emprego, mais renda para as pessoas e capacidade de consumo. Se há mais consumo, haverá mais produção e mais emprego", detalha. (W.V.)

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Cabeleireira troca serviço por alimentos para as filhas
Desde que se mudou do Jardim Cafezal para o Acapulco, a cabeleireira, manicure e depiladora Géssica Campos, 24 anos, sentiu a queda de movimento em seu salão de beleza que funciona em casa. "No começo, as antigas clientes vinham, mas com tudo que tem acontecido na economia, foram dando mais tempo entre os serviços e no dia em que abri a última caixa de leite, decidi fazer um apelo pelos redes sociais". Com duas filhas, de cinco e sete anos de idade, não pensou duas vezes em oferecer de uma nova forma seus serviços. "Troco serviço: escova por uma caixa de leite com 12 unidades, hidratação por dois pacotes de pão e achocolatado, botox capilar por dois quilos de carne de sua preferência, designer de sobrancelhas por frutas, escova progressiva por uma cesta básica", publicou em um grupo de negócios no Facebook. Centenas de pessoas leram e se sensibilizaram com a iniciativa da profissional. "Eu fiquei com medo de ser criticada, mas não queria pedir, queria oferecer a troca. Recebi muitos elogios e doações de arroz, leite, feijão, óleo, bolacha, iogurte. As meninas estão mais felizes agora", relata. "Espero que as coisas melhorem porque meu pai pagou todo o meu curso, tenho formação e amo o que faço, então não queria jogar fora esse investimento". Para quem puder ajudar, o telefone da Géssica é (43) 8445-8086.


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