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‘NÃO DEU MÚSICA’ Compositor se emociona com discos no lixo

Paulo Monteiro
NOSSODIA
30 jul 2017 às 19:48

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Em busca de inspiração, o compositor Lauro Natel de Oliveira, artisticamente conhecido como "La Natel", há 40 anos percorre estradas rurais de Londrina e região. É na natureza que ele encontra frases, versos apaixonados, característicos nas suas canções. A maioria delas ganhou os rádios do Brasil nas vozes de Teodoro & Sampaio. No entanto, na última semana, uma situação o deixou sem ritmo, muito chateado. Um lixão a céu aberto, localizado em uma esquina da avenida Angelina Ricci Vezozzo, zona norte de Londrina, "abrigava" discos, fitas cassetes e CDs que fizeram e ainda fazem sucesso: Chitãozinho & Xororó, Simone & Simaria, Fernando & Sorocaba, Victor & Léo, entre outros. "Não encontro palavras para definir uma situação como essa. Isso aqui não dá música", lamentou ele.
"Costumo frequentar áreas rurais de Londrina e região. É longe do barulho da cidade que encontro inspiração para minhas canções. Às vezes, a música sai em uma horinha. Noutras, levo dias para um verso ficar pronto", justifica ele a presença no local. "Infelizmente, nos deparamos com situações como esta por aí. Dói demais, a tristeza é grande. Afinal, isso não tem a ver com o romantismo", salienta Natel, que tem o trabalho conhecido até fora do país.
"Minhas músicas são gravadas por artistas até em Portugal, como a ‘O Tocador’. Outras canções ganharam o Brasil nas vozes de Teodoro & Sampaio. Como ‘Psiu’, ‘Lobisomem Apaixonado’, ‘Zé da Silva Brasileiro’, ‘Coração a Diesel’, em parceria com Alcino Alves", relembrou o experiente compositor.

‘Tratam a música como um objeto descartável’, dispara
Com exclusividade, La Natel divulga que em breve irá lançar o primeiro disco solo, com novos e antigos sucessos. O músico destaca que a gravação gera muito custo e tempo dos profissionais. "Nosso trabalho, além de inspiração, necessita de investimentos. Estou produzindo um disco autoral, que não vai sair por menos de R$ 10 mil. Espero que o disco não tenha o mesmo destino desses", comenta o artista local.
Investimento que, na sua opinião, não é mais valorizado pelo público. "Tratam a música como um objeto descartável. As pessoas consomem a música brasileira e a jogam fora logo em seguida. Olha esses discos, fitas cassetes originais. Hoje, a pessoa ‘tira’ a música da internet e joga fora os seus discos históricos, como os que estão aqui", desabafa. (P.M.)

Lixo deve encher 40 caminhões
De acordo com o setor de comunicação, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) já possui informações sobre o local. Porém os agentes da companhia aguardam a destinação de uma área para realizar o processo de transbordo e separação dos resíduos. Ação que deve ser realizada junto a outros órgãos municipais. Segundo a assessoria da CMTU, há objetos no local que exigem destinação variada: orgânicos, sólidos, entre outros. Pela avaliação dos agentes municipais, divulgou o setor de comunicação, devem ser retirados desta área aproximadamente 40 caminhões de resíduos. A CMTU ainda não divulgou a data para iniciar o recolhimento. (P.M.)


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