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Insegurança impera

Na zona norte - União contra criminalidade

Paulo Monteiro
NOSSODIA
25 jul 2016 às 08:48

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Além das responsabilidades inerentes ao cargo, o pagamento de tributos, a supervisão de funcionários, empresários da região norte trabalham em estado de alerta. Não só com o próprio estabelecimento, mas também com o do estabelecimento do vizinho. Hoje a concorrência foi deixada de lado e eles estão mais ligados do que nunca, se dedicam a trocar informações e imagens sobre suspeitos até por aplicativo de celular. A ideia é frear os frequentes roubos e furtos a estabelecimentos na zona norte de Londrina. Câmeras de vigilância e guardas privados, segundo eles, não têm mais inibido a ação dos criminosos.
Infelizmente, contratar vigilante ou instalar câmeras de segurança não impedem mais os bandidos de agir. Uma das alternativas para diminuir os roubos foi se unir e cuidar um do comércio do outro. Quando vimos uma pessoa estranha, suspeita, ficamos de olho e avisamos os colegas sobre a ameaça", relata Marilton Rodrigues, dono de uma padaria na avenida Francisco Gabriel Arruda, a 100 metros da Avenida Saul Elkind. Sabemos que a nossa Polícia (Militar) sofre com a falta de viaturas. Mesmo assim, nesta semana, uma dupla de policiais estava patrulhando o nosso bairro a pé. A sensação de segurança foi momentânea, pois os PMs não podem ficar o dia inteiro. A saída que encontramos foi a união. Quando não tem cliente na loja, venho até a calçada e dou uma olhadinha no comércio do vizinho, para ver se está tudo em ordem", acrescenta Luiz Antônio Silva dos Santos, proprietário de uma loja de tintas, no Conjunto Parigot de Souza 1.
Dos Santos diz que tentativas e assaltos consumados ocorrem pelo menos duas vezes por semana no bairro. "Na semana passada, por exemplo, tivemos dois ou três comércios roubados só neste quarteirão", conta ele.

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Acirenor de olho
Paulo Roberto Assencio, diretor e representante da Associação Comercial e Industrial da Região Norte de Londrina (Acirenor), conta que comerciantes buscam alternativas para colaborar com a Polícia Militar. "Tenho acompanhado a situação da nossa região. Mas ela se repete em outras partes da cidade. É um fator ligado diretamente ao momento do país. Falta recursos em todos os setores, entre eles o da segurança. Com a diminuição da geração de empregos, há muitas pessoas ociosas, algumas escolhem o caminho da criminalidade", avalia o diretor. "Cobramos mais aproximação da Polícia Militar, que também sofre com a falta de estrutura. A pé, os policiais militares até percorrem trechos da Avenida Saul Elkind, mas a região possui inúmeros comércios em outras vias. Esses também necessitam de atendimento policial, que só pode ser realizado com apoio de viaturas", revela. "Sabemos das limitações das forças de segurança e tentamos colaborar. Os comerciantes estão se reunindo e buscando outras formas para diminuir os roubos e furtos. Por meio de aplicativo no celular, grupo no WhatsApp, trocam informações e imagens. Em alerta, se preocupam com seu comércio e também com o do colega. Enviamos informações e imagens registradas pelas câmeras de segurança, com o objetivo de identificar os suspeitos, para a Polícia Militar da zona norte", conclui ele. (P.M.)


‘Insegurança na boca do povo’
Na fila do mercado, enquanto aguarda o pastel na feira da Saul Elkind ou até dentro do ônibus, o assunto do momento entre os moradores é sobre os roubos e furtos na zona norte, afirma a vendedora Ana Cláudia Mota. "E não tem como falar noutra coisa. Os bandidos não têm medo de ninguém. Roubam durante a noite, a madrugada e o dia e em qualquer lugar. Não perdoam ninguém, roubam de todo mundo: velho, novinha, mulher e homem", dispara. "Nesta semana entraram no posto de combustíveis, perto do cemitério (Jardim da Saudade), na Saul (Elkind), apavoraram a caixa e levaram todo o dinheiro. Roubar postos é comum aqui", lamenta a vendedora.
Além da população local, o comércio da zona norte atende consumidores de cidades vizinhas, como Sertanópolis, Primeiro de Maio, Ibiporã e Cambé, o que torna a região ainda mais atraente aos olhos do empreendedor. No entanto, muitos estão repensando em manter o seu empreendimento aberto. O motivo é a sensação de insegurança das últimas semanas. Vítimas de assaltos, alguns empresários fecharam as portas e foram embora da região norte. "Existia uma farmácia nesta avenida (Francisco Gabriel Arruda), mas o dono não aguentou mais ser assaltado e decidiu ir embora", comentou o comerciante Marilton Rodrigues. (P.M.)

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Polícias
O capitão da 4ª Companhia Independente de Polícia Militar (PM), Gustavo Rodrigo Rodrigues da Costa Silva, explica que houve um aumento no número de roubos e furtos registrados nos Conjuntos Parigot de Souza e Milton Gavetti, nos últimos meses (abril, maio e junho). Segundo ele, com menor intensidade, também um crescimento nas ocorrências de roubos e furtos em toda a extensão da Saul Elkind. Costa avalia que o crescimento da criminalidade é um reflexo do desemprego no Brasil. Ele revela que na última quinta-feira, em ocorrências distintas, os produtos roubados eram alimentos: mandioca e linguiça. O capitão destaca que, independente do crime, a recomendação é que a vítima registre boletim de ocorrência, uma vez que a segurança pública atua em cima de estatísticas. Sobre boletins de ocorrências referentes a furtos e roubos, registrados nas últimas semanas, o 5° Distrito Policial, da zona norte, informa que os números estão centralizados no setor de estatísticas da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina. No entanto, a 10ª SDP afirma que os dados são utilizados especialmente em trabalhos de investigação policial e não podem ser divulgados à imprensa. Da suposta falta de patrulhamento com viaturas na região, o capitão adianta que somente a Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Estado (Sesp) pode dar detalhes sobre o assunto. No início deste mês, a reportagem ouviu da assessoria da Sesp que o processo de aquisição de viaturas ainda depende de formalidades e que não é possível anunciar uma data para a entrega dos veículos. (P.M.)


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