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Na Zona Norte - Embalagens de veneno são descartadas em Londrina

25 jan 2016 às 09:06


Embalagens de veneno foram descartadas ao lado de uma plantação na região norte de Londrina. O NOSSODIA recebeu a denúncia de um leitor e foi até o local registrar o caso. Várias embalagens de defensivos agrícolas estavam espalhadas em uma plantação às margens da Avenida Saul Elkind, na Gleba Jacutinga. Veneno que deve ser armazenado em local apropriado, longe da presença das pessoas e animais.
Uma das marcas encontradas no local é a do herbicida Roundup, fabricado pela Monsanto do Brasil, registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O herbicida está na lista de agrotóxicos aptos para comércio e uso no Estado, de acordo com a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná. A venda, de acordo com a assessoria do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), é feita de forma controlada. A Lei 9605/98 - dos Crimes Ambientais - prevê multas de R$ 50 a R$ 50 milhões, dependo do impacto causado ao ambiente e a situação social do responsável.
Descartes irregulares, segundo o Instituto, são geralmente de produtos pirateados ou contrabandeados, já que mais de 90% deles são rastreados e recolhidos. O Instituto das Águas do Paraná mantém parceria com o Inpev (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias) para recolhimento, processamento e destinação para reciclagem de embalagens vazias de agrotóxico.
O IAP informou ainda que em 2014 cerca de 5,3 mil toneladas de defenacolhidas. O destino final das embalagens é a reciclagem e 90% viram produtos como conduítes, embalagens de óleo lubrificante e tubulação, entre outros. Os 10% restantes vão para a incineração.
O controle da venda dos agrotóxicos é feito pela equipe da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab). Cabe ao IAP realizar o cadastramento ambiental dos produtos, licenciamento de depósito e armazenamento de resíduos de agrotóxicos. É obrigatória a devolução da embalagem vazia do produto. Na região de Londrina, as denúncias devem ser feitas ao IAP pelo telefone (43) 3373-8700.

Armazenamento, transporte e devolução
A própria bula do Roundup dá orientações sobre a aplicação, armazenamento, transporte e devolução. Em casos de acidentes, existe o disque intoxicação: 0800-722-6001, da Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Renaciat).
O armazenamento da embalagem vazia, até sua devolução pelo usuário, deve ser efetuado em local coberto, ventilado, ao abrigo de chuva e com piso impermeável, no próprio local onde são guardadas as embalagens cheias. No prazo de até um ano da data da compra, é obrigatória a devolução da embalagem vazia, pelo usuário, ao estabelecimento onde foi adquirido o produto ou no local indicado na nota fiscal, emitida no ato da compra. Caso o produto não tenha sido totalmente utilizado nesse prazo e ainda esteja dentro da validade, será facultada a devolução da embalagem em até seis meses após o término do prazo. O usuário deve guardar o comprovante de devolução para efeito de fiscalização, pelo prazo mínimo de um ano após a devolução da embalagem vazia.(P.M.)

Riscos à saúde
A destinação inadequada das embalagens vazias e restos de produtos no meio ambiente causa contaminação do solo, da água e do ar, prejudicando a fauna, a flora e a saúde das pessoas. Dependendo da categoria e quantidade absorvida pelo corpo humano, pode causar danos graves também ao sistema nervoso, explica o chefe do setor de Toxicologia do Hospital Universitário (HU) e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Tiago Peixe.
"Vai depender muito da classe e de como se usa o agrotóxico em ambiente agrícola. Depende da dose e de como ele é absorvido pelo corpo. Alguns resíduos permanecem mais tempo na natureza, podem ser levados pela água da chuva a mananciais e ir parar novamente nas torneiras e ser tomado por alguém", avalia Peixe. "Geralmente, os danos aparecem a longo prazo na pessoa. O sistema nervoso central é a região mais atingida do corpo. Rim, figado e a região cerebral podem ser fortemente prejudicados", ressalta o chefe do Setor de Toxicologia. (P.M.)


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