O protesto foi marcado depois que o secretário de Saúde afirmou que não tinha os recursos necessários para a contrapartida municipal – o governo estadual já reservou R$ 650 mil para a obra, orçada em R$ 1,15 milhão. A manifestação chegou a ter início de tumulto, contido pela Guarda Civil municipal, e terminou com a chegada do secretário.
Segundo a líder comunitária Marlene Dino de Oliveira, uma paralisação de três dias estava prevista para esta semana, mas foi suspensa para que o secretário apresente, em 30 dias, as providências que vai tomar para iniciar as obras. "Estamos cansados de esperar. Agora, só trabalhamos com prazo. Se não der uma solução, se quiser jogar para junho, nós paralisamos a UBS da Vila Ricardo por três dias", avisa.
Apesar da ameaça dos moradores, Machado disse que não pode prometer o início da construção porque não há recursos em caixa para tanto – a gestão atual projeta um déficit de R$ 120 milhões para este ano e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) apresentada na semana passada projeta mais de R$ 186 milhões para 2018.
O secretário afirma que há duas possibilidades para executar a obra. A primeira é sensibilizar o governo estadual da situação econômica de Londrina, de modo que banque os outros R$ 500 mil faltantes. A segunda opção é reduzir o tamanho da obra, que prevê instalações em 450 metros quadrados, para proporções executáveis com os R$ 650 mil, ou com uma contrapartida bem menor por parte da prefeitura. "Eu não posso, como gestor público, empenhar despesas para uma obra que não tenho receita vinculada. Eu me comprometi a buscar uma solução, que vou apresentar no dia 19 de maio, às 7 horas", afirma.
Para Machado, uma unidade de saúde menor do que a prevista atenderia satisfatoriamente a população do entorno, calculada em cinco mil moradores. Ele ainda diz que considera o protesto da comunidade legítimo, mas não o impedimento de acesso de funcionários e pacientes à unidade de saúde, como ocorreu nesta quinta.
Histórico
A UBS da Vila Fraternidade foi fundada em 1970 e é considerada uma das mais antigas de Londrina, mas foi desativada e demolida em 2014 devido às péssimas condições. A construção tinha cerca de 100 metros quadrados e atendia os moradores dos jardins Carlota, Espanha, França, Helena, Paraná, São Luiz, Conjunto Pindorama e vilas Amaral, Fraternidade, Matos, Paglia, Santa Terezinha e Ziober. A demanda foi absorvida pela unidade da Vila Ricardo.
Marlene afirma que a administração de Alexandre Kireeff (sem partido) chegou a abrir licitação para a reconstrução da unidade, mas o trâmite foi cancelado no ano passado, ainda na gestão do ex-prefeito.