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Na labuta

Na luta - Idosos seguem na labuta e povoam o mercado de trabalho

Walkiria Vieira
NOSSODIA
24 out 2016 às 08:23

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Walkiria Vieira
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Esther Souza, 64 anos, teve seu benefício suspenso, José Luciano, 69, recém-operado do coração, sonha com a aposentadoria e dias melhores. Enquanto isso, cuida de carros e vigia uma loja. Alvino Silva, 70, se aposentou, mas trabalha seis dias da semana como vendedor ambulante de legumes. "Do contrário, tava lascado", acredita. No mercado de trabalho, formal ou não, histórias em comum confirmam pesquisa SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), que revela presença dos idosos no mercado de trabalho. De acordo com o levantamento, mais de um terço (33,9%) dos idosos que já estão aposentados continuam exercendo alguma atividade profissional. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), admissões de 2014 até o dia de hoje, somam 48 mil pessoas acima dos 40 anos. Acima dos 50, 17 mil.
A necessidade financeira, na maioria das situações, é o que faz o idoso sair de casa, nessa altura da vida, e assumir um posto de trabalho. Segundo a pesquisa, dois em cada dez (23,2%) idosos continuam trabalhando para manter a mente ocupada e 18,7% para se sentirem pessoas mais produtivas na sociedade. Há ainda 9,1% dos idosos que alegaram não ter parado de trabalhar para poder ajudar os familiares financeiramente. É o caso da ambulante Izabel de Souza, ainda com 50 anos. "Mas já me preocupo com a hora da aposentadoria porque sou viúva, fui cortadora de cana por 13 anos em Bandeirantes e hoje, mesmo com uma pensão, preciso trabalhar para sobreviver e ainda ajudo meus filhos e netos. Não sei quando vou parar".
Sentado em uma lata de tinta, protegida por papelão, Joaquim José de Lima, 79 anos, vende bingas, como ele próprio se refere aos isqueiros - e cigarros. Tira o chapéu, revela as cãs honradas e conta que recebia um benefício e este foi cortado. "Tanto ladrão no mundo e tiram de uma pessoa dessa idade", ressente-se. Natural de Guaranhuns, Pernambuco, estudou até o 2ºano primário, trabalhou a vida toda na roça e diz que não se sente à vontade. "Viemos para a cidade com a garantia de uma vida melhor, mas isso não aconteceu e daí tem que trabalhar, mesmo".

Na ativa, pelo prazer de trabalhar
Acordar, se aprontar, tomar café da manhã e o rumo do serviço é hábito da maioria que trabalha fora. Para muitos que já se aposentaram no papel, nem passa pela cabeça mudar de vida. O auxiliar administrativo Sérgio Movio, 69 anos, é aposentado há 18, mas não parou. "Gosto de ter compromisso, faço visitas, converso e me sinto feliz." Nos fins de semana, vou para o sítio com a família e minha filha, Maria Eduarda, de nove anos, é um combustível para minha vitalidade". O zelador Geraldo Fantaussi, 75 anos, é da mesma opinião. "Não se vive com um salário. Sou aposentado e agora que saí da escola, vou para a obra. Estou construindo uma casinha. Não consigo ficar parado, trabalhar é uma benção e a vida só é dura para quem é mole", pensa. (W.V.)

Quando a experiência fala mais alto
Há sete meses na mesma rede de supermercados, a aposentada Neuza dos Santos Dias, 69 anos, comemora a promoção. "Comecei como empacotadora e subi para operadora de caixa". Dona Neuza nunca foi de ficar parada. Já trabalhou como recepcionista de consultório, cozinheira, camareira, supervisora de hotel e desde que se aposentou – há quatro anos – não via a hora de voltar à ativa. "Em casa, não tem muito o que fazer e o trabalho ajuda nas finanças". Casada, mãe de quatro, avó de cinco e com um bisneto para paparicar, a operadora de caixa concilia a vida em família e o trabalho com uma vantagem: é muito querida entre os colegas de trabalho. "Me chamam de tia, mãe e sem perder de vista o foco no trabalho, a gente se sente como se tivesse entre familiares. A gente se sente querido, respeitado e importante". À frente de um dos caixas dedicados ao atendimento preferencial, dona Neuza faz sucesso também com a clientela. Os colegas de trabalho entregam que na folga dela sentem falta e perguntam do paradeiro e sempre a elogiam. "Prometem até mimos. Vamos ver quando o Natal chegar", brinca. "Gosto de atender bem e a gente se põe no lugar do cliente e quer que ele volte sempre." Sobre o dinamismo para ser educada, prestar atenção na cobrança e lidar com o maquinário moderno, diz: "Temos uma equipe de treinamento, gerentes, subgerentes e supervisores muito boa. Os colegas ajudam muito e assim fica fácil de aprender e trabalhar." (W.V.)



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