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NA FINAL - Tubarão bate a raposa no café

03 set 2017 às 21:35

Em uma partida histórica, o Tubarão bateu o Cruzeiro nos pênaltis e está na final da Copa da Primeira Liga. Mais de 17 mil torcedores vivenciaram um turbilhão de sentimentos no Estádio do Café: o time perdia por 2 a 0 até os 35 minutos do segundo tempo, quando numa reação surpreendente empatou a partida aos 51. Nas penalidades, brilhou a estrela do goleiro César, que pegou três cobranças dos cruzeirenses e colocou o time na final contra o Atlético Mineiro, no dia 8 de outubro, no Café.
Logo nos primeiros minutos, o Tubarão mostrou uma postura de quem joga em casa e dominava as ações. O time explorava os cruzamentos com os laterais Ayrton e, principalmente, Reginaldo pela direita. Arthur também se movimentava bem e tentava a aproximação com Carlos Henrique, mas o time chutava pouco.
O Cruzeiro buscava explorar os contra-ataques e aos poucos foi equilibrando a partida. Aos 19 minutos, os mineiros mostraram força com um chute de Bryan. Na sequência, em mais uma vacilada do Tuba em bolas áreas este ano, Lucas Silva escorou de cabeça após escanteio e fez 1 a 0. O Londrina não se abalou e seguiu tentando. Aos 25, cobrança de falta perigosa e Carlos Henrique mandou uma bomba que raspou o travessão. Ao 39, foi a vez de Rômulo dar trabalho ao goleiro Rafael. Um chutaço da intermediária que o cruzeirense foi buscar no ângulo. Depois, Arthur fez bela jogada, passou por três marcadores dentro da área, mas o guarda-metas saiu nos pés do atacante do Tuba.
No segundo tempo, o Tubarão voltou com a mesma postura. Mas viu o Cruzeiro jogar uma ducha de água fria logo aos 9 minutos. O perigoso atacante Sassá pegou rebote de um chute na trave de Elber e ampliou o placar. O Londrina não desistiu do jogo e seguiu insistindo. As entradas de Safira, Marcinho e Patrick Vieira deram um gás novo no time e, depois de chutar duas bolas no travessão com Germano e Carlos Henrique, o time foi recompensado. Cruzamento de Marcinho para cabeçada forte de Safira.
A partir daí, a torcida se tornou o 12º jogador. Numa pressão absurda, o Tuba foi com tudo pra cima e, no finalzinho da partida foi recompensado. Aos 51, pênalti muito bem marcado pelo árbitro em Safira. Germano converteu e levou a decisão para as penalidades. Com a arquibancada ensandecida, foi a vez de César brilhar. O goleiro do Tuba pegou as cobranças de Lucas Silva, Arthur e Alex. Germano, Ayrton e Dirceu marcaram para o time da casa e levaram todos ao delírio no Café. Na comemoração, teve até "sarrada no ar". Um dia para ficar na memória de todos. (Victor Lopes/Grupo Folha)


REDENÇÃO
A posição de goleiro é cruel, implacável e o goleiro César sabe bem disso. O herói da classificação de ontem, ao pegar três pênaltis, foi muito questionado pelo torcedor no começo da temporada e, até recentemente, com o time tomando muitos gols de cruzamento em bolas paradas.
Contra o Cruzeiro: dia de redenção, de mudança. "O começo do ano foi turbulento e o Tencati optou pela minha permanência. Antes das batidas (das penalidades), estava olhando para o torcida, ela veio em peso e foi crucial para nossa classificação. Observei as cobranças com o analista de desempenho e fui muito feliz em optar pelos cantos certos".
Para o camisa 1 do Tuba, o jogo de ontem foi um divisor de águas para a equipe. "Agora vamos embalado para pegar o Ceará em busca da série A. Com a torcida do nosso lado, grandiosa do jeito que é, enchendo o estádio como fez hoje (ontem), tenho quase certeza que conseguiremos o acesso".
Outro jogador que merece destaque na partida de ontem foi o atacante Safira. Sempre muito questionado pela torcida, ele entrou no lugar de Celsinho para colocar fogo no jogo. Fez um gol e sofreu o pênalti que salvou o Tuba nos últimos instantes. "É um dia para não ser esquecido. A primeira participação na Primeiro Liga e já chegando à final com total possibilidade de título", disse ele. (V.L)

DE OLHO NA PREMIAÇÃO
O Tubarão encara na final o Atlético Mineiro que venceu o Paraná Clube, no sábado, por 1 a 0. A partida está inicialmente marcada para 8 de outubro. O vencedor abocanha R$ 3 milhões em premiação. Se muitos times grandes, principalmente de São Paulo e Rio de Janeiro, desdenharam da competição, para o Londrina pode ser um divisor de águas até o final da temporada. Mais do que a importância financeira, o jogo de ontem traz moral ao elenco para a sequência da série B e coloca o torcedor em sintonia com a equipe. "Eu até entendo os clubes que estão na série A, em outro patamar, disputando Libertadores, Copa do Brasil não dar foco. Mas para nós é uma final, jogamos menos essas competições de nível nacional e temos que aproveitar a oportunidade que chegou agora", salientou o técnico Cláudio Tencati.(V.L)


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