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Músculo que pulsa

05 jan 2015 às 08:19
Na pequena Bela Vista do Paraíso todos conhecem a história do atendente de farmácia de coração grande. Durante muito tempo, Edmílson Cruz de Andrade, 29 anos, ouviu com orgulho o elogio. Gabava-se da boa saúde e de nunca de ter colocado um comprimido na boca.
O problema é que o coração cresceu tanto que não lhe coube mais no peito. E, aos 24 anos, ficou triste pela primeira vez ao ouvir que tinha o coração grande. "Cardiomiopatia congênita", diagnosticou o cardiologista. Sem saber do que se tratava, pediu explicação e em 2009 descobriu que precisava de um novo coração.
Durante três anos, Andrade esperou na fila por um transplante. Resistiu a duas paradas cardíacas e várias semanas de internação. Em 2012, perdeu um coração porque uma chuva impediu que um órgão compatível chegasse à tempo para a cirurgia. "Sabia que Deus tinha planos para mim. Se não era para ser daquela vez, seria na próxima."
Mais um Natal se aproximava sem qualquer notícia do presente mais aguardado. Quando Andrade já se conformava com mais um fim de ano triste, foi informado que uma família de Foz do Iguaçu fez a doação dos órgãos de um jovem de 18 anos, que morreu em um acidente. Em um dia de céu azul e sem nuvens, o avião pousou tranquilamente em Londrina. O transplante transcorreu sem problemas na Santa Casa de Londrina. "Ali senti que minha vida mudaria para sempre. Eu precisava fazer por merecer. Comecei a dar valor nas pequenas coisas da vida." (Celso Felizardo/Folha de Londrina)

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