Sofrer com a perda total ou parcial da visão já impõe ao cidadão diversos empecilhos. Assessorado apenas por uma bengala, o deficiente visual encontra pelo caminho obstá-los variados, falta de guias rebaixadas, buracos nas ruas e calçadas, além de postes e árvores. Porém, o que mais o entristece é esbarrar na falta de conscientização da população. Falta de respeito que é evidenciada no centro de Londrina, onde motoristas impedem o direito de ir e vir dos deficientes visuais ao estacionarem sobre a faixa de piso tátil (faixas em alto-relevo fixadas no chão para orientar os deficientes visuais).
O servidor municipal José Giuliangeli de Castro perdeu a visão há 23 anos, após um acidente automobilístico. Apesar da deficiência, ele vai ao trabalho e percorre vários pontos da cidade, inclusive na região central, onde diariamente flagra veículos parados no caminho. "Me deparo com este problema o tempo todo. O motorista não respeita o deficiente visual e a pessoa com visão rebaixada. Eles não estão preocupados com a nossa realidade", afirma ele.
Histórias de incidentes não faltam. Castro admite que colidir com carros e motocicletas lhe custaram diversos ferimentos. "Principalmente nas regiões das pernas e cabeça. Esses dias eu estava a caminho de um banco, localizado nas proximidades da rotatória da rua Minas Gerais, onde acabei colidindo com um trailer de camelô. A situação é constrangedora e decepcionante, pois é a confirmação de que não há respeito por parte da população", explica o servidor municipal.

O servidor municipal José Giuliangeli de Castro já se machucou algumas vezes por causa do desrespeito à sinalização
José Giuliangeli de Castro acredita que a falta de punição aos infratores incentiva o mau comportamento. "Se por um lado não há fiscalização, por outro existe a falta de consciência dos motoristas e dos comerciantes. Já liguei para as autoridades municipais cobrando uma atitude. Porém, na maioria das vezes, argumentam que não há ficais suficientes para este tipo de ocorrência", diz ele.
"Hoje, na maioria das vezes, quando me deparo com um veículo sobre o piso tátil, fico calado. Apenas tento me proteger. Já machuquei minhas pernas, após batê-las em engates na traseira dos carros, e também a cabeça, que já bati em escadas fixadas no teto dos veículos", afirma Castro, acrescentando que no passado tentava dialogar com os motoristas. "Tentava explicar os riscos que eles me oferecem. Alguns ficam bravos no início, mas depois admitem sua culpa. Eles não sabem da nossa dificuldade. Tento esclarecer os problemas. Muitos acham que não vai passar nenhum cego enquanto seu carro estiver estacionado", acrescenta ele. (P.M.)
A assessoria de comunicação da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU), informou que, caso a pessoa seja flagrada com o veículo estacionado irregularmente sobre a calçada, infração considerada grave, receberá multa de R$ 127, 70. Além disso, serão retirados cinco pontos da sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH). De acordo com a Companhia, o motorista estará enquadrado em estacionamento irregular, em cima do passeio público, como diz o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
A fiscalização em Londrina ganhou um reforço na última sexta. A CMTU realizou a formatura de 28 novos agentes municipais, os quais passaram a trabalhar em atividades nos setores de trânsito, operações e posturas do município. (P.M.)