A realização de uma nova licitação para a concessão do transporte coletivo de Londrina foi anunciada pelo prefeito Marcelo Belinati na manhã desta quarta-feira (22). A abertura do processo está marcado para o mês de outubro e o decreto já está com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), responsável pelo certame. A realização da licitação, segundo o prefeito, não garante alteração do atual preço da tarifa, de R$ 3,95. Mas prometeu melhorias no serviço, adaptados ao novo Plano Municipal de Mobilidade Urbana.
O prefeito lamentou que o plano ainda não tenha sido elaborado. "Infelizmente, não terá como ficar pronto antes da licitação, porque a cidade nunca fez isso", justificou. Belinati atribuiu a delonga na formulação das diretrizes à "falta de vontade política", visto que o Plano Municipal de Mobilidade Urbana é uma exigência do Ministério das Cidades desde 2012. "É importante enfatizar a participação da Câmara nisso [na pressão para elaboração do Plano]. Estamos nos adequando à legislação e planejando um transporte coletivo mais moderno", disse.
O contrato atual, firmado com a TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina) e a Londrisul desde 2004, se encerra no dia 19 de janeiro. A opção por não renovar o serviço com as empresas partiu de um grupo de trabalho formado pelo prefeito, com a participação de órgãos públicos e representantes da sociedade civil organizada. A nova licitação será também para 15 anos e deve chegar a R$ 2 bilhões. "É um tempo necessário para esse tipo de serviço. A lei municipal estabelece esse período", justificou o gerente de transportes da CMTU, Wilson de Jesus. Após a abertura da licitação em outubro, a concessão se dará em 45 dias. (Isabela Fleischmann e Luís Fernando Wiltemburg/Grupo Folha)
Fala, Metrolon
O presidente do Metrolon (Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros Intermunicipais), que representa a TCGL e a Londrisul, Paulo Sérgio Bongiovani, disse que recebeu "com surpresa" a informação sobre a nova licitação. Ele disse, por exemplo, que a Grande Londrina teria atendido todas as reivindicações do contrato nesses 15 anos. "Fizemos investimentos na ordem de R$ 117 milhões na cidade", expôs. "Quando fizemos o investimento no Superbus (novo sistema a ser implantado na cidade) no final de 2016, pensamos que a prorrogação [do contrato] seria natural", lamentou Bongiovani que é também diretor da TCGL. Bongiovani ainda alegou que a TCGL emprega 5 mil funcionários diretos e indiretos e com a prorrogação do contrato esperava manter os empregos e o equilíbrio financeiro. Ele afirmou que levou para a administração pública a nova planilha da ANTP (Agência Nacional de Transportes Públicos) em reunião no início de agosto. "Qualquer empresa que queira vir operar aqui prospecta uma pequena margem de lucro. Há o famoso equilíbrio econômico-financeiro", reclamou. "O custo é todo igual, não existe mágica no nosso negócio." Bongiovani não descartou a participação na licitação. (I.F. e L.F.W.)
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