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Mortos de raiva - ‘Noiados’ depenam São Pedro

16 abr 2018 às 14:31


"Nem a memória de quem já se foi é respeitada. A julgar pelos atos de vandalismo nos cemitérios, não se pode duvidar de nada nesse mundo. Tudo noiado". É o que pensa o pedreiro Felipe dos Santos, 43 anos. Responsável por reparos de jazigos e limpeza, o trabalhador explica que já se cansou de ver tanta depredação nos cemitérios de Londrina em que presta serviços. "Roubam placas, imagens e até tampas de mármore." No Cemitério São Pedro, localizado no centro, especificamente, o festival de vandalismo é grande. Por toda parte, há marcas de destruição. A bandidagem não perdoa e depena as sepulturas mesmo. "Olha esse aqui, arrancaram até a foto", aponta Santos. E entre os tantos outros túmulos em igual, ou pior situação, a cena até parece banalizada. "Cadê a alça da gaveta que estava aqui?" devem se perguntar os familiares. O jazigo completamente exposto é também herança da violência, assim como o espaço vazio, antes ocupado por uma estátua, arrancada de seu lugar.
Em um local que não pode ser revelado por questões de segurança, a Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina), mantém guardadas placas de bronze, crucifixos e uma infinidade de adornos arrancados e deixados no meio do caminho para que seja feita a retirada e reposição por familiares. Segundo Santos, muitas vezes quem invade o cemitério procura agir em série. "Tiram várias peças e, quando surpreendidos, abandonam tudo e fogem". E acrescenta: "Largam perto do muro e teve caso de uma estátua de mais de 70 quilos". Santos também atribui à violência a falta de um possível vigilante que cuidava do cemitério. "Amarraram ele numa árvore e roubaram roçadeira, assoprador, forno. Foi traumático e dias desses levaram até uma urna com cinzas humanas. Por isso que as pessoas tem que fazer boletim de ocorrência", aconselha.



Nesta sepultura, os vândalos retiraram a tampa de uma das gavetas


Resposta da Acesf

Em resposta à reportagem, a Acesf informou que tem conhecimento dos fatos. Em relação à segurança, adiantou que há um plano de melhoria que contempla o projeto de iluminação do interior do cemitério, aumento dos muros do São Pedro, e benfeitorias nos demais que necessitam. Em relação aos furtos ocorridos, as famílias são orientadas a registrar o Boletim de Ocorrência. "Tão logo tomem conhecimento dos furtos e, caso queiram repor as peças subtraídas que optem por materiais sem valor comercial, como porcelana ou ferro fundido", recomenda a Acesf. (W.V.)


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