Jovens com idades entre 20 e 30 anos foram as principais vítimas de mortes violentas em Londrina no ano de 2017. Alvos de homicídio (crime contra a vida), confronto (com forças de segurança), lesão corporal seguida de morte e latrocínio (roubo seguido de morte).
Dos 133 óbitos registrados durante os 12 meses do ano passado, cerca de 41 deles tinham como vítimas pessoas entre 20 e 30 anos. O último foi Jonalisson Vilas Boas, 27 anos, em 18 de dezembro. Ele se envolveu em uma troca de tiros com policiais militares, durante confronto, e foi alvejado por disparos. Jonalisson teria resistido após ser flagrado com um veículo roubado nas proximidades do Lago Cabrinha, na zona norte.
Pessoas com 30 e 40 anos de idade ocupam o segundo grupo com maior número de mortes violentas. Pelo menos 34 óbitos. Cléber Henrique Carvalho, 38 anos, foi o último. Ele foi morto a tiros no campo de futebol do Conjunto Cafezal, zona sul de Londrina, no dia 2 de dezembro.
Além disso, morreram 32 adolescentes e jovens até os 20 anos de idade, vítimas de homicídio, confronto, lesão corporal seguida de morte e latrocínio. Um deles é Lucas Ricardo Francisco, 18 anos, vítima de latrocínio no dia 16 de dezembro. Ele foi baleado na rua Araci de Almeida, Conjunto Vivi Xavier, zona norte.
Neste levantamento, realizado pela reportagem, 11 dos mortos tinham de 40 a 50 anos. Entre eles José Vilmo Silvestre da Silva, 41 anos, morto em confronto com um guarda municipal na rua Estácio de Sá, Jardim Sabará, na zona oeste de Londrina, após uma confusão que teve início no interior da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sabará.
No grupo com menos casos de violência estão as pessoas com idades acima dos 50 anos, com nove registros. Dentro desta faixa etária está Luiz Antônio de Souza, 53 anos. Ele foi baleado dentro da própria residência, na rua Lauro Dantas de Farias, Jardim Santa Fé, zona Leste, no dia 2 de junho.
Em todo o ano passado, pelo menos seis das vítimas de mortes violentas não tiveram o nome, a idade divulgados ou não foram oficialmente identificadas na data do crime. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
85% tinham antecedentes criminais
De acordo com outro levantamento divulgado pela Polícia Militar (PM), que leva em conta somente casos de homicídios, Londrina registrou 93 ocorrências do gênero no ano passado, 21 a menos que 2016, que havia encerrado com 114 ocorrências. Neste índice não são contabilizados os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) e de confronto entre suspeitos e forças de segurança. De acordo com o porta-voz da PM em Londrina, major Nelson Villa Júnior, a redução é ainda mais significativa quando se compara o último trimestre (outubro, novembro e dezembro) de cada ano. Em 2016, foram 43 assassinatos, em 2017, apenas sete crimes contra a vida neste período.
Das 93 pessoas vítimas do crime de homicídio, 79 possuíam antecedentes criminais (85%). "De todas as pessoas mortas, apenas 14 não tinham qualquer envolvimento com delitos ou indicativos criminais. Demonstra que a pessoa que se envolve com a criminalidade tem a tendência de se tornar vítima dessa própria violência. E que as pessoas que não se envolvem com a criminalidade têm uma cidade segura para se viver", avaliou o major.
Sobre a redução no índice de mortes em comparação aos últimos dois anos, Nelson Villa Junior aponta os investimentos na área da segurança pública como um dos pilares deste resultado. "Caiu bastante em comparação ao último trimestre de cada ano, uma margem de 80% no número de homicídios. Demonstra o investimento realizado em recursos humanos e logísticos. Só nos últimos três meses foram entregues 20 viaturas para Londrina. Fatores preponderantes para essa redução", disse.
A expectativa para 2018 é que a tendência seja mantida. "Embora esses números pareçam positivos, eles demandam que as polícias continuem trabalhando em conjunto, realizando inúmeras operações com o propósito de que esses índices diminuam ainda mais", reforçou. "Se a prevenção se faz através da presença e da resposta rápida da polícia, com esses recursos ela é ainda mais eficiente. A expectativa para 2018 é diminuir o índice de crimes, entre eles os de homicídios", adiantou Villa Junior. (P.M.)