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Morte sem resposta castiga família

04 ago 2014 às 09:41

Nove meses depois, a morte de Oscar Leopoldo Uhlmann Júnior, 23 anos, ainda é puro mistério. Segundo os familiares, ele foi encontrado com diversos ferimentos na noite de três de novembro do ano passado, após uma festa no Jardim Columbia, Zona Oeste de Londrina. Eles acreditam que o jovem tenha sido espancado até a morte e reclamam por ainda não terem a resposta do que aconteceu.
"Faz quase um ano que vivemos esse sofrimento. Desde que ele morreu, vamos à delegacia semanalmente, mas escutamos que a causa da morte não foi confirmada. No IML (Instituto Médico Legal), também não nos dão uma resposta satisfatória", conta a irmã Tatiane Uhlmann Fernandes.
Para ela, o jovem foi brutalmente assassinado. "Não sabemos mais o que fazer. Desconfiamos de algumas pessoas que possam ter feito isso com ele, mas não podemos fazer nada, apesar da raiva. Achamos um descaso ainda não terem desvendado sua morte", critica.
Segundo Tatiane, Júnior saiu de casa por volta das 14 horas do dia três de novembro de 2013 e nunca mais voltou. "Só fomos encontrar ele morto no IML, por voltas das 23 horas de domingo. Meu pai viu o seu corpo lá e constatou marcas de violência em seu abdômen, costas, rosto, mãos e pernas", conta a irmã.
"Por isso não acreditamos em overdose", reforça. "Além disso, uma pessoa que morava perto de onde ele foi encontrado ferido contou que meu irmão foi espancado e gritava muito de dor naquela noite. O Juninho estava caído numa data, próximo de uma festa." (Paulo Monteiro/NOSSODIA)

Mudando de vida

De acordo com Tatiane, Júnior teve problemas com drogas quando adolescente. "Ele passou por tratamentos numa clínica de recuperação e ficou sem ter contato com drogas por três anos. Porém, teve uma recaída, mas quando tudo aconteceu ele não estava usando nada", garante.
Buscando se livrar de uma vez por todas dos entorpecentes, Júnior se dedicou ao caminho religioso e passou a ajudar voluntariamente outras pessoas. "Ele até virou um colaborador no Caps/AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas), como redutor de danos e tentava tirar outras pessoas da dependência química", lembra. (P.M.)

Tudo muito suspeito
Apesar das informações da família, a Delegacia de Homicídios não descarta que o jovem possa ter perdido a vida por causa de uma overdose. "Realizamos diligências em busca de informações, ouvimos familiares e pessoas próximas a ele. Testemunhas que moravam na região contaram que Júnior estava alucinado, havia invadido algumas casas e até um automóvel naquela noite. Nenhum dos moradores afirmou ter visto agressão", detalha Cláudio Santana, superintendente Delegacia de Homicídios.
O inquérito policial sobre a morte do jovem só será concluído após o resultado final dos laudos periciais. "Um laudo do IML de Londrina apontou que a morte foi causada por asfixia mecânica. Porém, não desvenda se tratar ou não de overdose ou espancamento", exemplifica. "O IML daqui retirou materiais do corpo e os encaminhou a Curitiba. Só o IML de lá, após exames, é que poderá revelar a causa da morte", explica Santana.
Na última semana, o NOSSODIA entrou em contato com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (SESP), que afirmou, após ser comunicado pelo IML de Curitiba, que o laudo final com o resultado já havia sido encaminhado a Londrina no início de julho. Mas só na última quinta-feira, a Delegacia de Homicídios teve acesso ao resultado. No entanto, para a investigação, o resultado continua inconclusivo. "Vamos encaminhar novamente um ofício ao IML, solicitando o esclarecimento de alguns itens. Esperamos que tudo seja resolvido nos próximos dias", conclui Santana. (P.M.)


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