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MORRO DO CARRAPATO

MORRO DO CARRAPATO - ‘FÁBRICA’ DE MOSQUITO DA DENGUE

(Paulo Monteiro/NOSSODIA)
10 dez 2015 às 00:17

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Água parada em dezenas de pneus, baldes, tanques, máquinas de lavar, caixas-d’água, galões, vasos e até vasos sanitários. Junto ao calor e ao ambiente úmido, o cenário é perfeito para a proliferação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Esta é a realidade do antigo Morro do Carrapato, localizado aos fundos da zona leste de Londrina, desabitado há quase um mês, após mandado de reintegração de posse.
Terreno que também possui barracos com fossa e poço sem tampas. Larvas (que aparentam ser do mosquito) também são vistas em recipientes. Moravam no Morro do Carrapato mais de 50 famílias. De acordo com a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), a área de 92 mil m² é de propriedade particular. Uma construtora pretende levantar um condomínio no local.
A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) informa que a responsabilidade pela limpeza é do proprietário. Sobre o recolhimento do lixo pela administração pública, a assessora afirma que apenas apoia as secretarias do município e disponibiliza veículos para o transporte dos materiais. Os proprietários devem ser notificados pelo Setor de Endemias, da Secretaria Municipal de Saúde, destacou a CMTU. Já a Diretoria de Vigilância em Saúde salientou que os agentes de endemias intensificaram as ações em áreas com alto índice de infestação, entre elas a do Morro do Carrapato.

Cidade em alerta

O secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, afirmou que, desde o Alerta Epidemiológico e estado de Emergência contra a dengue, divulgado no fim de novembro, o município organiza uma séries de ações no combate ao mosquito, inclusive na região onde a comunidade está localizada, a segunda com maior alerta. O secretário confirmou que a região central lidera o número de casos confirmados, seguida das Zonas Leste, Norte, Sul e Oeste. "Os fiscais de endemias estão distribuídos em pontos estratégicos da cidade. O objetivo é identificar e acabar com os focos em residências e comércios que possuem depósitos a céu aberto, além de áreas desocupadas", explica ele, alertando que os proprietários de imóveis, já notificados, podem ser multados em até R$ 20 mil.
De acordo com números da Prefeitura, até a tarde de segunda-feira, a Secretaria Municipal de Saúde realizou 94 visitas, em todas as regiões de Londrina para inspecionar os imóveis notificados como locais críticos e reincidentes de casos de dengue. Do total, foram registradas 42 infrações. Além disso, 13 pessoas já fizeram as adequações necessárias e se regularizaram. Outras 27 estavam ausentes no momento da ação e serão visitadas novamente. O trabalho teve início no dia 26 de novembro. "Aqueles que cometeram infrações foram informados. Eles terão um prazo de 10 a 15 dias para apresentar a defesa para a Vigilância Sanitária. Se for comprovada negligência, o proprietário deve sofrer multa, que varia entre R$ 208 e R$ 20 mil e 823", alerta Martin.



Pneus e todo tipo de entulho estão espalhados pelo local

‘2.768 casos confirmados’, diz secretário

"Até a tarde de terça-feira, tivemos 2.768 casos confirmados em Londrina. São 9.600 notificações no total", divulga Martin. "Número abaixo do último registro de epidemia de dengue vivido por Londrina, em 2011, com quase 7.500 casos confirmados", detalha o secretário. "Mesmo assim é um número preocupante. Em cada 100 casas visitadas pelos fiscais, pelo menos oito tinham larvas. Um nível muito elevado se comparado ao índice exigido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ao qual o satisfatório seria abaixo de 1% de larvas do Aedes aegypti", comenta Martin.
Desde terça-feira, a Prefeitura realiza ações por toda a cidade. Dez carros fumacês percorrem as vias de Londrina. O trabalho tem como objetivo envolver a população em prol do combate ao mosquito transmissor o Aedes aegypti. Denúncias sobre possíveis focos do mosquito podem ser feitas pelo telefone 153, que funciona 24 horas. (P.M.)


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