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Morro do Carrapato - Com os dias contados

Paulo Monteiro
NOSSODIA
12 out 2015 às 08:23

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O Morro do Carrapato, na zona leste de Londrina, está com os dias contados. Literalmente. De acordo com a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), as 52 famílias devem deixar a área de 92 mil m² com a força de um mandado de reintegração de posse. O espaço é de propriedade particular. Uma construtora pretende levantar um condomínio no local. Os moradores têm entre o fim de outubro e o início de novembro para ir embora.
Só de pensar na possibilidade de deixar o Morro, a dona de casa Maria Luiza Correia, 58 anos, começou a chorar. "Não tenho para onde ir", dispara ela, que vive na comunidade há quase 10 anos. "Moro eu e meu marido. Fico desesperada só de pensar", comentou ela.
Grande parte das moradias foi construída com madeiras e coberta com telhas finas e lonas. As ligações de água e de energia são improvisadas. Apesar da precariedade, os moradores querem continuar na área. "Não há o que fazer. Olha o meu estado", intima Daniela Heloísa Rocha Firmino, 23 anos. "Estou grávida de nove meses. Não aguento nem andar. O Luiz Gustavo (filho) pode nascer a qualquer momento", alerta ela, que já é mãe de duas meninas: cinco e dois anos de idade.
A dona de casa Cleuza Fernandes, 48 anos, destaca que a família sempre viveu unida no Morro do Carrapato. Tragicamente, ela, o marido, os três filhos, as três noras e os três netos também podem acabar expulsos juntos. "O que vou fazer para abrigar tanta gente, meu Deus?", questionou ela.

Maria Luiza Correia e Daniela Firmino: desespero por não ter para onde correr
Maria Luiza Correia e Daniela Firmino: desespero por não ter para onde correr


Sonho da casa própria
Uma das maiores críticas dos moradores é que, apesar de terem feito inscrições na Cohab, o sonho da casa própria "nunca é realizado. Faz oito anos que fiz minha inscrição na Cohab e até hoje não fui atendida. Muitas famílias que viviam aqui foram contempladas com casas no Vista Bela (zona norte). A Cohab disse que também seríamos atendidas na sequência, mas até hoje nada aconteceu", lamentou Eliane de Oliveira, 25 anos. Ela vive com o marido e outros três filhos: de três, sete e oito anos de idade.
"Os meus três filhos já estão matriculados na escola e na creche. Se nos tirarem daqui, eles não terão onde estudar", ressalta Fábio Florêncio. "Eu morava de aluguel e pagava R$ 600. Não aguentei, sai. Na casa de parente não consegui viver. É pequeno também e não dá pra viver na casa dos outros. Vim morar aqui", conta Fábio, afirmando que ganha R$ 400 por mês. Dinheiro que não daria para pagar o aluguel e sustentar a família de cinco pessoas. Se ele for obrigado a sair do local, adianta que irá invadir outro terreno. (P.M.)


Fábio Florêncio já adianta que vai achar outro terreno pra se instalar com a família
Fábio Florêncio já adianta que vai achar outro terreno pra se instalar com a família

Moradias pela Cohab só no final de 2016
Mesmo o terreno não sendo de propriedade do município, o presidente da Companhia de Habitação (Cohab), José Roberto Hoffman, falou sobre o assunto. "Acompanhamos a situação desde 2013, quando lá viviam 22 famílias. Em 2014, o número passou para 44. Hoje, são 52 famílias, de acordo com levantamento feito pelo Cras (Centros Regionais de Assistência Social)", explicou Hoffman.
"Os proprietários do terreno já possuem uma decisão judicial para restituir a posse dele. A ideia é construir um condomínio popular no local. Projeto que está em andamento, mas ainda não tem data para iniciar", detalhou o presidente.
Hoffman informou que, das 52 famílias, 27 já possuem cadastros na Cohab. "Vamos ao local incentivar o cadastro também das outras famílias. Muitas não atendem o critério do programa Minha Casa Minha Vida. Algumas já possuem cadastros em outras regiões do Brasil. Além disso, o Programa Federal possui critérios rigorosos, com preferência para famílias em vulnerabilidade social e não para as que possuem cadastros mais antigos na Cohab", acrescentou ele. As famílias cadastradas na companhia, entre elas as que vivem no Morro do Carrapato, segundo Hoffman, podem ser contempladas com residências em dois empreendimentos em andamento. "O Flores do Campo, que terá 1.218 moradias, na zona norte, e o Villagio Alegro, com 144 apartamentos, na zona sul. Talvez as duas obras ainda levem mais 12 meses para serem concluídas", finalizou o presidente. (P.M.)


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