O colecionar Silvio Soares de Albuquerque, 60 anos, se lembra muito bem da primeira relíquia que adquiriu. "Um rádio Phillips, com teclado de marfim". Depois vieram os moedores de café e tudo o que tivesse história, roda e manivela. Vendedor de tecidos por 25 anos, percorreu o Norte Pioneiro e outras estradas de onde trouxe objetos raros como um projetor de cinema. "Esse precisei trazer de guincho". Mas a caminhonete de trabalho foi suficiente para o transporte de outras tantas raridades. Rodas de carroça ainda possui mais de 30 e todas estão à venda. "Infelizmente os ferros velhos tratavam muitas antiguidades como sucata. Peças valiosas chegavam a ser quebradas para ajeitar a carga, quando não sabiam que valiam mais do que uma tonelada de ferro". Paralelamente ao trabalho, Silvio conta que ia realizando os sonhos que a infância não comprou. "Até exagerei, mas ainda bem que tem alguém pra frear e no meu caso é minha esposa, Sonia." Casado pai de três filhos já encaminhados, Albuquerque recorda que quando chegava em uma cidade já contavam o que esperava por ele. "Durante 25 anos, não vendi uma peça, só pensava em guardar. Até que resolvi expor e descobri que compartilhar era mais prazeroso." Em sua loja no Shopping Quintino pode-se conhecer um calador de feijão, lampiões, máquinas de escrever do século passado, telefones, rádios e bicicletas restauradas que contam um tanto de história.