Natural de Cambé, a dona de casa Sonia Terezinha Ranutti Rodrigues Florencio, 58 anos, vive há quatro em Londrina. No Conjunto Violim, vai se acostumando à nova rotina, mas guarda em seu coração os amigos de toda uma vida da vizinha Cambé. "É minha terra natal, né?" E o crochê, artesanato que chamou sua atenção quando ainda menina, nunca esteve tão presente em seu dia a dia. "Era jovem, queria muito aprender, então peguei um palito de fósforo, linha e comecei a fazer correntinha. Uma vizinha viu, sabia um pouco e quando pude comprei uma agulha e ela me deu umas dicas". Aos 16 anos, Sonia começou a trabalhar para ajudar em casa. "Éramos cinco filhos e todos trabalhavam e davam o dinheiro na mão do pai. Mas era um temo muito bom", conta. Com o casamento e a chegada dos filhos, o crochê foi deixado de lado e há alguns anos Sonia retomou a atividade que a faz se sentir produtiva e ainda ajuda na renda. "Infelizmente não é um trabalho tão valorizado, mas quem conhece meu trabalho sabe que sou caprichosa. Não faço gambiarra e se algum ponto dá errado, começo tudo de novo. Não sei se é defeito ou qualidade, mas sou perfeccionista. " A colcha de crochê amarela não sai da cama do casal e essa tem história. "Foram seis meses de dedicação, quadradinho por quadradinho e fui pegando de pouquinho até que ficou pronta. E eu, realizada". Com o marido Vanderlei, aproveita o tempo vago para passear no shopping, ir à igreja e visitar o netinho de quatro anos. Fã de azul e vermelho, recomenda o crochê a quem quer ocupar a cabeça de maneira positiva.