A atividade de engraxate não é a primeira remunerada do estudante Rafael Paulo, 16 anos. Morador do União da Vitória, conta que pretende seguir a carreira militar. "Dá futuro e quero proteger a nação. E outra, é uma classe respeitada e quero isso para minha vida." Enquanto engraxa sapatos, conta que ouve conselhos de que deve levar os estudos a sério. "Parei duas vezes. A greve deixa a gente desanimado. É um terror." Na casa onde vive com a mãe e o irmão Luis Miguel, de 5 anos, recebe exemplos de persistência. "Minha mãe é zeladora em um supermercado." Sobre o que ganha de dinheiro no trabalho, diz que usa consigo. "Gasto com roupa e calçado", resume. O celular quebrado, tem conserto programado. "É bom que não preciso ficar pedindo para minha mãe. Sempre quis ter independência." Após a escola, Rafael encara os sapatos. São em média cinco durante o período da tarde. O sapato que chega apagadinho, sai brilhando das mãos do jovem. "Fico orgulhoso", comenta. Das disciplinas da escola, a Matemática é sua predileta e no próximo ano pretende concluir o Ensino Médio. "Foi bom começar a trabalhar. Amadureci e vi como é difícil ganhar dinheiro".