José Orlando Salles, 63 anos, para muitos, o seu Orlando. Varredor há sete anos, já foi pedreiro e operador de caldeira por 20 anos. Parado? Nunca ficou. Filho de mineiros, preserva um pouco do sotaque herdado pelos pais e o "uai", é um atrás do outro. Talvez não fosse pelo carrinho todo enfeitado de sapatinhos de criança, como muitos trabalhadores, seu Orlando passaria despercebido pela multidão. "É muito comum a criança de colo perder o sapatinho e a mãe não perceber. Daí fica pra trás". Mas o olhar atento do varredor não se limita a folhas, papeis e tanto lixo dispensado na via. Assim, os sapatinhos são recolhidos e, cada um com sua delicadeza, deixa o carrinho todo enfeitado. De tempos em tempos, o varredor os leva para casa, lava e trata de deixá-los ainda mais bonitos para a exposição diária. Morador do Jardim Leonor, tem um casal de filhos, é casado há mais de 40 anos e diverte-se diante da telinha acompanhando o futebol. Uma boa macarronada ou churrasco são sempre bem-vindos. "Trago marmita todo dia. É mais econômico e saudável". Entre uma quadra e outra, o carrinho, a vassoura e a pá são as ferramentas de trabalho de seu Orlando. Natural de Santa Mariana, a visita mais recente foi em 25 de dezembro de 2015. "Foi quando minha mãe faleceu. Esse vai ser o primeiro Natal sem ela, mas ficou 17 anos acamada e temos que alegrar os netos."