O Bacharel em Direito Márcio Fernando Rodrigues, 40 anos, nasceu em Londrina, tem dois irmãos, dois sobrinhos e, no ano em que a Constituição Federal completa 30 anos, reflete: "Se um terço da Constituição fosse posta em prática, esse seria um país de primeiro mundo". Rodrigues sofreu um acidente de carro aos quatro anos de idade e, devido às sequelas, foi perdendo a visão. "A perda total foi aos 16 anos". O apoio da família foi fundamental. "Nunca imaginei que perderia por completo". Na hora do Vestibular, deixou de lado a Odontologia, sua primeira opção e cursou Direito. "Minha mãe começou a fazer braile quando comecei a perder a visão e me ajudou durante todos os anos da Graduação. Eu fazia os trabalhos em braile e ela os traduzia para que os professores pudessem corrigir. Sua presença em minha formação foi tão determinante que em nossa formatura a turma decidiu fazer uma homenagem a ela." Dona Anízia é costureira aposentada e sabe da capacidade do filho. Morador da região sul, Rodrigues considera que a cidade ainda tem muito a evoluir no quesito acessibilidade. "É precária, principalmente nos bairros. Por falta de planejamento, talvez o município não tenha vislumbrado que um cadeirante ou um deficiente visual pode utilizar a cidade". Além de tocar teclado e gostar de ouvir música,
Rodrigues foi conciliador no Tribunal de Justiça do Paraná, fez pós-graduação em Processo Civil na Escola de Magistratura e está redigindo um artigo para publicar em uma revista científica.