O vendedor ambulante de sorvetes, Fábio Oliveira, tem 40 anos. O sotaque carregado de "R" e "S" já perdeu, pois veio do Rio de Janeiro menino. Nasceu em São João do Meriti e aos 17 anos já estava em busca do ganha-pão. "Comecei como pintor por livre e espontânea vontade, mas já trabalhei em firma como auxiliar de produção", conta. A caminhada em busca da venda de sorvetes veio pela necessidade para engrossar a renda, uma vez que Fábio preserva a profissão de pintor. Telhados, grades e portas estão na lista de serviços mais procurados pelos clientes. "Tenho compressor, né?" Quando um serviço é grande e pede agilidade extra, Fábio conta com ajudantes de sua confiança e assina embaixo os serviços que faz. "Até hoje ninguém nunca reclamou". Morador da Vila Portuguesa, área central de Londrina, Fábio conta que a venda de sorvetes poderia estar melhor. "Está devagar, estou torcendo para esquentar para vender mais sorvetes." Sobre sonhos, Fábio é comedido. "Tem que comer, beber e dormir, não almejo muita coisa." Sobre o passado e as dificuldades da vida, reflete: "Sou pé no chão, todo mundo passa por dificuldades. Tem que enfrentar. Eatou levando a vida do jeito que dá". (Walkiria Vieira/NOSSODIA)