É fato que Londrina se consolida como destino de imigrantes e, não por acaso, recebe o rótulo de Terra Estrangeira. Apenas em 2016, ao menos 1500 imigrantes e refugiados chegaram à região de Londrina, conforme dados da Cáritas Diocesana, responsável por acolher e orientar pessoas que migram ao Brasil. Vladimir Louis, 29, veio sozinho para cá em busca de uma vida melhor do que aquela reservada aos seus compatriotas após o terremoto de 2010 no Haiti. Para ele, o mais complicado é suportar a saudade da filha Jeniffer, de oito anos, que não vê há quatro. "Ela vive com a mãe e não a vejo desde que saí do meu país". A família de Louis espalhou-se pelo mundo. A mãe ainda mora no Haiti, mas o pai conseguiu visto e vive legalmente no Canadá. O irmão está nos Estados Unidos. Formado em Técnico em Informática, Vladimir veio do país de origem e foi direto para Belo Horizonte (MG). Conseguiu emprego na sua área por quatro meses, mas também trabalhou como segurança em um zoológico e, fluente em cinco idiomas, atuou como guia de turismo. Após deixar a capital mineira mudou-se para Rolândia e há 11 meses está empregado em um frigorífico, onde exerce a função de operador de máquina no centro de produção. "Vim sozinho para o Brasil, me senti muito triste, senti falta da minha família. Mas aqui tem mais oportunidades, a vida é melhor e eu estou adaptado, graças a Deus. No Haiti, depois de formado é difícil achar um serviço." Louis diz que o pai pretende levá-lo para a América do Norte. "Mas o tempo depende de Deus. Hoje em dia ninguém sabe o que vai acontecer. Enquanto isso, vou ficando por aqui."