Nos trinques dos pés à cabeça, o aposentado Brasiliano Amorim da Silva, 67 anos, vai logo falando: "Pode escrever Painho. Porque é assim que todo o Cincão me conhece." Sobre o visual alinhado, que inclui chapéu, óculos, calça e camisa social, o morador do Luís de Sá, não esconde a vaidade. No pescoço, cinco correntes roubam a atenção na conversa. As pulseiras também não ficam atrás. Na esquerda, além do relógio, há seis. Anéis, vão-se os dedos de uma mão inteira para contá-los. Embora divorciado, mantém a aliança. "Ah, eu não quis desfazer, não. Essa é das boas. É uma relíquia e também não quero namorar nem casar. Só quero ficar". A pochete nos braços também não é à toa. "Aqui eu guardo o perfume. De repente, você tá num lugar, toma uma ducha, passa um perfume e já cai na gandaia. Gosto de me divertir. Já fui caminhoneiro, segurança, auxiliar de serviços gerais, professor de dança e gosto de me divertir." A gemada é um dos segredos da disposição de Painho, que nasceu em Maceió-AL. "Tomo a cada três, quatro dias. Ativa a memória e dá disposição. Tem que tá de bem com a vida. Só não gosto de gente mal-humorada. Não tá bom hoje, amanhã vai ser melhor. Nada de se entregar. Mau humor não leva a nada. Nem o mal-humorado aguenta com ele".