"Olha o café da roça, tomô, já gosta". Assim, o estudante Wilian Correa, 20 anos, vende o seu peixe, leia-se cafezinho. Adoçado na medida, é a bebida da hora e da vez para a freguesia do rapaz. A bordo de um carrinho de feira, as garrafas desfilam pelo Calçadão para alegria de quem está fora de casa, mas não dispensa o pretinho. O estudante explica que já teve carteira registrada, atuou em várias funções, mas em dias em que as ofertas de emprego são escassas, o jeito é inventar e não deixa a peteca cair. "Minha mãe fazia só diária e estava com poucas, daí eu dei a ideia e hoje ela circula com oito garrafas de café e os salgados que ela mesma faz", orgulha-se. Entre carrinho e garrafas, investiu R$ 220 e está feliz. "Não tem como não ficar feliz, gosto de trabalhar e vou caminhando entre as pessoas, ofereço o café e me divirto". O café, vem da roça mesmo. "Minha avó traz moído, ela mora em Assaí e não tem jeito, é um café especial", vende. No fim do dia, com as garrafas vazias e o sorriso no rosto, Wilian vai para a Vila Recreio, onde vive. "Tomo um banho e vou para a aula. Estou terminando os meus estudos, quero fazer depois um curso técnico ou faculdade. Eu já fiz curso na área de Administração, de Elétrica e um bom currículo é essencial para o mercado de trabalho."