Por mais de 30 anos, Epitácio Oliveira Camargo, 64 anos, dedicou-se às artes gráficas. Natural de São Paulo, tem três filhas, é casado e há dois anos mudou totalmente de ramo quando decidiu vender sanduíche de mortadela e de calabresa. Com talento, colocou arte na cozinha, criou seus lanches e soube se reinventar. "Não tem lanche igual ao meu", garante. Acostumado a inventar piqueniques para as filhas e sobrinhos, o hoje feirante foi atrás e conquistou seu lugar ao sol, ou à lua para melhor dizer, porque é na Feirinha da Lua que garante o ganha-pão da família. De quarta a sábado, o comerciante pode ser encontrado oferecendo os seus quitutes. Do estúdio para o comércio, ele diz que não foi difícil, pois sempre gostou de conversar e de pessoas. "Alguns levam até para casa um pacote com seis", conta. As lições do passado são muitas e diante de todas as dificuldades, Tio Pita, como é chamado por amigos e familiares, soube dar a volta por cima. "Desenho desde os 14 anos e me especializei em embalagem de medicamento a ponto de, no passado, um laboratório alemão me habilitar a ter um estúdio no Brasil." Mas na década de 80, a digitalização das gráficas fez com que perdesse todos os meus clientes, investi em uma loja de fotografia mas o retorno não foi como esperava e cheguei a infartar. No mesmo ano, passei a fotografar aniversários infantis, pois amo fotografia e agora estou focado na feira".