Natural de Ubajara, no Ceará, Maria das Graças Linhares Martins, 65 anos, pouco viveu por lá. "Eu me criei em Teresina, no Piauí, onde fiquei até os 14 anos." Depois disso, mudou para São Paulo, terra da garoa, onde foi viver junto de uma irmã. Por conta do matrimônio, nova mudança, para um outro estado, agora o Paraná e conheceu Londrina. O ano era 1980 e desde então Maria das Graças conta que gostou da cidade e sossegou. "É. Por enquanto", brinca. Dona de casa assumida, conta que o marido sempre preferiu que ficasse com a responsabilidade da casa e das crianças - ao todo tiveram quatro - e trabalhar fora era com ele. Viúva, mora com um dos filhos, a nora e uma neta de 17 anos. Quando assume o fogão, mostra como as misturas culturais fizeram bem para ela – e para quem prova de seu tempero. "Ah, faço de tudo um pouco, da comida nordestina ao trivial." E na convivência também se mostra flexível e receptiva. "Sou de me dar bem com todo mundo, acho que sou fácil de lidar." Anos atrás, esteve no Ceará para matar as saudades dos parentes que vivem na capital, Fortaleza. "Da última vez fui de avião, mas antes fui de carro. Cinco dias de estrada, mas valeu a pena todo o esforço, pois fazia 30 anos que estava longe de todos." Ativa, a moradora do Jardim Antares, na zona leste, diz que hoje a nora dá conta dos afazeres domésticos e quando surge uma oportunidade para passear, não fica titubeando. "Ah, agora é hora de eu me divertir", sorri.