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Minha história - Gente que é a cara do Calçadão

Walkiria Vieira
NOSSODIA
29 set 2016 às 15:49

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Walkiria Vieira
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No ir e vir, em meio à tanta gente, impossível não notar Lucimara Aparecida Diniz, 40 anos, no Calçadão. Moradora da Vila Nova, na área central, de segunda a sábado, do começo da manhã ao fim do dia, lá está ela, contando com a ajuda do povo. Já são 20 anos em frente a uma agência bancária. Nesse tempo, o Calçadão mudou, as fachadas se modernizaram, quem era moça ficou mais madura e muitos idosos que marcavam presença no cartão-postal, já se foram desta pra melhor. "Quando teve a reforma, mudei de lado, mas não saí do Calçadão." Lucimara teve poliomielite e estudou até o 4º ano primário. "Foi uma dificuldade, nunca fui aceita por minha condição física. Queria voltar, mas nunca tive oportunidade. Minha vida é limitada demais". Ao lado da mãe, dona Maria Conceição, 61 anos, vive dentro das possibilidades. "Minha mãe é doente. Tem diabetes, um coágulo na cabeça e faz tratamento para o tumor não crescer". Ajuda a filha como pode. "Quando vou tomar banho, ela abre o chuveiro. Eu não alcanço e me arrasto pela casa para me locomover." O caõzinho Piq, deixa a rotina mais feliz na casa da família. Diante da movimentação de uma das principais vias da cidade, reflete: "Muitas pessoas me tratam bem, outras me olham com resignação. Se o governo nos desse uma condição melhor, poderia ser diferente. Eu gostaria de realizar o sonho de conhecer a Bienal do livro e um dia ir para o Rio de Janeiro." Os livros de Machado de Assis também estão na lista de desejos de Lucimara. "Gosto de ler".


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