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Minha história - Gente boa de prosa

Walkiria Vieira
NOSSODIA
01 jun 2015 às 10:07

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Walkiria Vieira
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Com um ralador feito de uma tampa de alumínio que parecia não ter mais utilidade, a aposentada Nair de Souza, 69 anos, começa o preparo do doce de mamão. Mineira de Itamogi, chegou em Londrina aos oito anos. Viúva, criou os oito filhos superando dificuldades e hoje já tem netos e bisnetos. No jardim da casa, além de flores, cuida de tudo o que planta. O pé de amendoim cavalo divide espaço com a goiabeira. As orquídeas exalam lavanda e Nair faz questão de mostrar. Há ainda um pezinho de tomate que as vizinhas já provaram. No fundo da casa, sobram suspiros para quem vê pela primeira vez tanta variedade. "Tirei muita uva daqui", aponta para a parreira. A mão suja de terra carrega com orgulho a raiz de gengibre. "Uso na salada, pra tempero, pra remédio e quentão". Quem não conhece taioba, tá aí a oportunidade. Sabor e textura de espinafre e faz um bem danado pra saúde. Hortelã, salsinha, cebolinha, couve, saia branca, caninha da Índia e beladona enchem os olhos. Alguns ex-jogadores famosos já provaram da comida da dona Nair, como o ex-goleiro Zetti, tetracampeão mundial com a seleção brasileira e bicampeão de clubes do mundo com o São Paulo. "Fui cozinheira do Londrina Esporte Clube e sempre tive cebolinha, salsinha dividindo espaço com os varais do clube. O gosto pelas flores, plantas e a terra dona Nair diz que vem dela. "Tá dentro da gente". É de lá, do fundo da casa, que veio também tanto mamão para virar doce. "É uma satisfação plantar, colher, comer e distribuir para os vizinhos".
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