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Minha história - Dinha quer provar o lado doce da vida

04 jul 2016 às 09:21

Moradora do conjunto José Jordano, Judith Matozo, a "Dinha", tem 57 anos e nasceu em Guarapuava. Aos 6 anos de idade, o pai faleceu, a mãe se casou novamente e daí em diante, Judith conta que conheceu o que era sofrimento. "Meu padastro exigia ser chamado de pai e me batia todos os dias de rabo de tatu. Minha mãe decidiu me dar em uma fazenda onde eu trabalhava como criada. Minha mãe disse que se em uma semana eu não me acostumasse, ela me buscaria, mas isso não aconteceu. Jogavam água gelada em mim às cinco da manhã para eu fechar as vacas, comia com os cachorros e aos 11 anos sofri um abuso do filho do fazendeiro, engravidei, tive uma filha e eles deram a menina. Eu vivia apanhando e os donos da fazenda me venderam em uma casa de prostituição, mas a responsável percebeu que aquilo era um erro, me levou a um juiz e um tio meu soube o que estava acontecendo, ficou horrorizado e me buscou. Daí, já com 15 anos, fui morar com minha avó. Eu era inocente e naquela época a gente não tinha noção da gravidade desses fatos." O casamento foi também uma decepção para Dinha. "Ele só bebia e me batia". Tive que fazer de tudo para sustentar meus filhos. Tive três, um é falecido. Hoje, vivo serena, torço para que consiga minha aposentadoria do fundo rural, faço compras no comércio, visito minha filha, sou de dormir cedo e acredito que Deus vai me ouvir, já sofri muito."

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