A caminho do lugar onde descansa o esposo falecido há 17 anos e a mãe, que se foi há dois, a pensionista Vilma Alves Pereira, 66 anos, carrega mais do que flores nos braços. O sorriso no rosto, o olhar esperançoso e o otimismo são parte da senhora que tem orgulho dos filhos, dos netos e também da sua história de vida. Cheia de fé, divide força, retribui o amor da família e é realista: "Eu não posso reclamar, mas todo mundo tem seus dias pra baixo", admite. A ausência de quem tanto amou, é traduzida em palavras. Quando abre a página 38 do livro Orações do Cristão – Preces Diárias, lê: "Aqueles que amamos, apenas partem antes de nós. Vivemos na esperança do dia Dia da Glória." Com doçura, dona Vilma fecha o livrinho, guarda e sorri, em um gesto de ensinamento. Filha de uma paraibana que perdeu o marido grávida do terceiro filho, Vilma sabe que carrega herança de força e fé. Dos 34 anos de casamento, ficaram além dos filhos, um grande exemplo. "Vivo para meus filhos e netos, vir ao cemitério é parte da rotina. Traz paz, mas também tenho muitas amigas na igreja, gosto de dançar, cuido da saúde e sou feliz." No último fim de semana, por conta casamento da sobrinha Deyse, a família toda se reuniu e uma foto com Nossa Senhora ao fundo é guardada com carinho e se sobrepõe à perdas da vida. Nossa Senhora está sempre protegendo nós", crê.