Leitor convicto, Aparecido Massari, 73 anos, sabe também ouvir e observar. Falar de si, é na medida. "Nasci em Ribeirão Preto em 1943, faz uns quatro anos que não vou para lá, mas ainda tenho parentes. Ribeirão é uma cidade industrializada, já Londrina vive mais do comércio." Após anos e anos dirigindo caminhão – transporte de frios e madeira -, em 1992 veio a aposentadoria e virou comerciante. O caldo de cana foi ideia dele. Após provar o refresco, fez a proposta ao antigo proprietário, que de bate-pronto a aceitou. Dois dias depois, assumiu o ponto e já soma 24 anos de missão. Bancários, empresários e moradores das proximidades da Avenida Higienópolis engrossam a clientela da Kombi, que é verde não por acaso: pertence a um palmeirense. "Quando fazem festa, os estudantes da UEL pedem 15 litros. Daí, eu que faço a entrega." No fim de semana, não abre mais o comércio e na casa onde vive com a esposa, a portuguesa Maria Candelária, 67 anos, toma a frente de lavar calçadas e limpar vidros. Filho de italianos, recorda que as conversas entre pai e mãe, Santo João Massari e Maria Pires Massari, originários da Calábria, eram todas no idioma ítalo. "Aprendi ouvindo e por isso falo e entendo bem". Os filhos do casal, duas meninas e um menino, todos encaminhados. No Jardim Marabá, zona leste de Londrina, alegra-se com os mimos da esposa, grande cozinheira, assim como orgulha-se de estar na segunda geração de clientes. "As meninas do Vicente Rijo se casaram e agora trazem os filhos." A repórter despede-se e seu Aparecido retorna à leitura de "Universo em Desencanto - Imunização Racional – a verdadeira origem da humanidade".