Os seis anos de Monte Sião fizeram um bem danado para Antonio Fermiano Filho, 72 anos. "Saí de Minas com seis anos e minha brincadeira preferida era tacar pedrinha enquanto minha irmã lavava louça na bica." Enquanto os pais estavam na lavoura, ainda era tempo de brincadeira para o pequeno. Eram nove filhos, um faleceu. "Viemos para o Paraná no caminhão pau de arara. Coube a mudança de duas famílias, porque vindo de longe a gente queria ter vizinho conhecido." De uma fazenda para outra, a mudança também levou Antonio a conhecer o outro lado do cafezinho. Aquele que não está nas casas de café. "Na lavoura de café limpei, sequei e descarreguei café." Estudou até o terceiro ano do Grupo Escolar. Aprendi a ler e a escrever e tenho muita experiência de vida." Na cidade, Antonio foi servente de pedreiro e pintor de parede. Morador do jardim Santa Rita, gosta dos vizinhos que tem e dos serviços do bairro. "É bem servido de ônibus". Floraí é apelido que não esquece. "Vem dos tempos em que eu queria ser cantor sertanejo. De raiz." Fã de Nelson Gonçalves, assim como Nenete & Dorinho, Antonio sabe tocar violão e gosta de ver os amigos diariamente. "Falamos de música, futebol e economia". Com os pés no chão, não se apega a ilusões. "Mega-Sena não me pega. Tenho vontade de passear e rever uns parentes." (Walkiria Vieira/NOSSODIA)