Para dona Luiza Maria da Silva, 77 anos, os avós são eternos. Quando o seu pai faleceu, ela tinha um ano e seis meses e os avós assumiram a responsabilidade. Foi criada com os primos e muito jovem se casou. O primeiro filho veio aos 15 anos. "Tive 11 filhos e dois Deus levou". Hoje são quatro homens e três mulheres. Viúva há oito anos, nunca retirou a aliança e considera que o marido foi um bom homem. Vive com a família no Distrito de São Luiz. A couve que vem da hortinha da família rende. "Eu gosto bem fininha na salada com óleo e limão. Meu genro gosta cozida". Aposentada, quando a maioria vai cedinho para roça, aguarda. "Agora estou no balancinho", diz referindo-se ao momento privilegiado de não mais ser escrava das horas. "Lavo uma roupinha dos netos, uma peça minha que quase não sujo e minha filha põe no arame para mim". À tarde, gosta de ver uma novelinha. As mexicanas são as favoritas. "As mulheres são chiques". Enquanto se recupera de uma cirurgia, diverte-se com os óculos que agora fazem parte do traje. A cada 30 dias a família se desloca para Londrina e durante um dedinho de prosa na praça, dona Luiza fala até dos cachorros que a família tanto ama. "No terreno são dez e dentro de casa, dois." Katy ganhou o privilégio pela pequenez. "Já a Baby porque tem uma lãzinha bem macia". (Walkiria Vieira/NOSSODIA)