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MINHA HISTÓRIA

31 jan 2018 às 21:39

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Matheus Camargo
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Nascida em Bernardino de Campos (SP), em 1943, Maria Aparecida De Luca Peres teve uma vida de reviravoltas. Idas e vindas desde o início, no namoro, no trabalho, na casa, nas cidades. Dona Maria chegou em Ibiporã aos 17 anos com o pai e mais três irmãos, já que o sítio que moravam no interior paulista não produzia lucro algum, segundo ela, devido a terra arenosa. "Lá só tinha areia. Plantávamos tudo e nada nascia, era horrível. O que tinha de cobra no meio daquilo ninguém imagina. Já peguei cascavel na mão." Casou aos 21 anos com Manoel Ponce Peres, filho de espanhóis que conheceu durante um terço. "Naquela época as pessoas faziam terços nas casas. A mãe dele morava perto da nossa chácara e nós fomos lá. De repente eu o vi vindo do corredor em direção à copa da casa, eu olhei para ele, ele olhou para mim. Sabe quando bate?" Em quase todas as falas que repete, Maria fala sobre o marido, que morreu em 2016. Foram seis filhos, três meninos e três meninas, e uma passagem de 11 anos por Ivaiporã, uma das piores decisões da vida, segundo ela própria. "A gente estava bem aqui, vendia porco, vendia leite, estava sobrando dinheiro até. Aí propuseram para ele uma sociedade em Ivaiporã. Deu tudo errado. Fomos morar numa casa de madeira e chegamos a passar fome. Por muitos anos nossas jantas foram macarrão e feijão para as crianças e nós dois comíamos o que sobrava." Lá, Manoel perdeu o braço num acidente com uma máquina de debulhar milho. "Ele, sem braço, 11 dias depois estava dirigindo um jipe. Nunca parou de trabalhar, era o que nos sustentava."
Voltou para Ibiporã sem nada, nenhuma economia. Foram morar no sítio da sogra e se reergueram aos poucos, até que na década de 90, mais um golpe. "Nós perdemos uma casa naquele negócio das poupanças do Collor. Ficamos com um caminhão que foi trocado." Mais um renascimento na vida, com as economias do caminhão abriram um sacolão. Compraram uma casa e uma chácara e as netas vieram. Apenas mulheres na família, são 12. Em 2017, ficou com a saúde debilitada. Sofreu um infarto em maio, mas se tratou. Em dezembro, passou por uma torção no intestino e ficou semanas internada após ser submetida por um procedimento cirúrgico. Ela sofre de dores até hoje. "Ontem mesmo eu tive cólica, mas hoje estou melhor." (Matheus Camargo/Grupo Folha)


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