O Jonny é um bom companheiro. Ninguém pode negar. Para sua cuidadora, Lúcia Aparecida Fermini Silva, 51 anos, o que não faltam são predicados para falar sobre o cachorro. "Na verdade ele é da minha patroa, mas quem desce com ele, sou eu." O momento que mescla caminhada e contemplação deixa a rotina mais organizada. Jonny tem 12 anos e há cinco ele e Lúcia passaram a ter convivência. "Minha patroa, dona Sônia, é cega e o Jonny faz muito bem para ela. Percebo que ele tem uma comunicação muito especial com ela". Na casa em que vive no Interlagos, Lúcia tem duas cachorras: Cruela, de 7 sete anos, e Akira, de quatro meses. "Percebi que a Cruela está com ciúme, mas tem amor pra todo mundo. Lá em casa, todo mundo gosta e meu filho caçula, o Francisco Júnior, fala que um dia vai poder ter uma chácara e cuidar de todos os cachorros que são abandonados." Bem cuidado que é, Johny toma banho uma vez por semana. "No apartamento, vai no chuveiro e depois tem que secar no secador." Do alto do quarto andar, ouve a movimentação do Calçadão e pede para ver o que se passa. "Ele vai perto da janela, dá uma choradinha e como temos tela, carrego ele e fica observando." A brisa muda a expressão do bichinho, que em sinal de agradecimento, suspira fundo. "Ele é bonzinho, tem o cantinho dele de fazer xixi e cocô, às vezes faz arte, mas dá muita alegria. Come ração e de vez em quando coloco uma carninha pra variar." Muito feliz com a convivência com os filhotes, Lúcia pensa: "Quem fala que não gosta de cachorro ainda não teve a chance de uma experiência. Os animais só nos fazem bem" (Walkiria Vieira/NOSSODIA)