Não importa se faz frio ou calor. O amor e a criatividade fazem da avó, inventora. A chuva que interrompe a brincadeira, vira festa e mesmo do outro lado da janela, a avó conta história e consegue entreter e fazer cessar o choro. Se é de manha ou de fome, ela sabe também. E na banheira de bebê, aventuras de capitão, baleias e mergulhos bem fundos. Assim como muitas avós – que se desdobram para ganhar o riso, dona Maria das Graças Diniz da Silva, 61 anos, tem a oportunidade de viver o seu papel de avó. Tem nos braços, o caçula dos cinco netos. Esse é Heitor, dez meses. "Está estranhando o movimento um pouquinho porque foi ao médico", conta. A experiência com os filhos e os netos que nasceram antes – o mais velho está com 15 anos de idade -, permite que Maria fale com propriedade. Natural de Uraí, desde os sete anos vive em Cambé e mora no Jardim Tupã. Da porta da casa, dá pra sentir o cheirinho de sopa. Entre os ingredientes, mandioquinha salsa e peito de frango bem desfiadinho. "Não tem quem não goste", orgulha-se. Dona Maria se considera privilegiada por ter saúde, disposição e tempo para estar com os netos e sabe que os dias de hoje exigem que pai e mãe estejam no mercado de trabalho. Do tipo coruja, assume. "A gente tem mais tempo para os netos do que teve para os filhos. Filho é doce, neto é melado". Sem exigir que Heitor seja rechonchudo, ensina: "O importante é ter saúde". (Walkiria Vieira/NOSSODIA)