Filha de rendeira, Angélica Ramos, 68 anos, nasceu no povoado Serrão, no Sergipe. "Na beira do São Francisco", situa. "Vim para cá com dois anos de idade, graças ao Ouro Verde. Na época, fomos de pau de arara até Salvador e de Salvador até qui, foram 15 dias de trem". No Paraná, Angélica construiu a sua família – tem um casal de filhos já encaminhados na vida e ao lado de Maurici, está perto de completar 50 anos de casamento. "Será daqui dois anos e temos vontade de fazer uma comemoração à altura. Em um casa no Vitória Régia, cercada por ruas com nomes de aves, o aconchego faz as vezes da dona da casa e convida para entrar e ficar ouvindo lições para a vida. Desde que enfrentou e superou o câncer, Angélica fez do artesanato, produtividade. As flores, não mais que os pássaros, são temas de seus trabalhos e pela internet a leitora do NOSSODIA faz pesquisas sobre o próximo roteiro de viagem, pinturas e curiosidades. "Conhecemos todo o Nordeste e o Chile é para mim um lugar onde gostaria de voltar." Do sol a pino a neve, Angélica celebra a vida. "Aprendo muito com as palavras cruzadas, gosto de Geografia e de pesquisar. Estou pesquisando sobre as cinco maiores cadeias de montanha do mundo e nossa casa está organizada". Com a mente ocupada e disposição, o casal se entende e inspira. Entre flores, calopsitas e bordados, o relógio do tipo cuco dispara e avisa que é hora de se despedir desta querida leitora. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)