Para se ter uma ideia, o estudo global intitulado "Global Information Security Workforce Study" 2017, aponta que a lacuna de profissionais nessa área deve atingir 1,8 milhão em 2022, um aumento de 20% em relação à projeção feita em 2015.
Os dados foram publicados pelo site CIO (gestão, estratégias e negócios em TI para líderes corporativos) e quando projetados para a América Latina, revela que a escassez deve chegar a 185 mil profissionais em cinco anos. Independente da localização geográfica, a maior preocupação apontada pelos especialistas foi justamente a exposição de dados. Na América Latina e Europa, os ataques de ransomware (tipo de malware que infecta o sistema, liberando-o mediante pagamento de resgate), foi um ponto em destaque.
Em relação à escassez de mão de obra qualificada, o levantamento aponta que há um aumento à medida que mais setores reconhecem a importância de dispor desses profissionais para proteger seus dados.
Victor André da Cunha, coordenador dos cursos da área de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) do Senai em Londrina, comenta que ainda são poucos os especialistas no mercado de trabalho, pois ainda não está bem estabelecida a cultura deste profissional no ambiente corporativo. "A procura por esse tipo de mão de obra vem aumentando, mas ainda é tímida. As empresas ainda focam muito em ferramentas e não nos processos. E segurança da informação é um processo contínuo, pois ao contrário do imaginário popular, estes profissionais devem atuar na prevenção e não na correção dos danos", salienta. Cunha detalha que a prevenção inclui boas práticas de mercado, como por exemplo, atualização de sistemas operacionais e listas de antivírus constantes, bloqueio de portas de comunicação, entre outros. "Dentro da empresa, a primeira coisa a se fazer é trabalhar com proteção, evitar o problema, mas caso aconteça, a ideia é encontrar uma solução para que não ocorra novamente e descobrir a origem. Com todos esses dados, o próximo passo será buscar ajuda jurídica", acrescenta Emerson Rosa, especialista em segurança de redes de computadores, perito forense computacional e docente da Pitágoras na área de segurança em redes. De acordo com Rosa, a estimativa é que em Londrina, apenas 20% dos profissionais de TI estejam qualificados para essa atuação. "A maioria ainda está buscando conhecimento e o grande problema na minha visão é a falta de prática, pois a área demanda uma boa estrutura para aprendizado, como por exemplo, de laboratórios", diz. (M.O.)
Formação
Para atuar na área de segurança da informação, o profissional deve ter uma formação em tecnologia. Segundo Rosa, ao se especializar em segurança, ainda há um leque de possibilidades. "A pessoa pode buscar desde a perícia forense computacional, que está em expansão, até por exemplo, no âmbito jurídico, certificação digital. Hoje, o perfil desse profissional deve atender os princípios de confidencialidade, disponibilidade e integridade para proteger uma empresa", sustenta. A média salarial entre os profissionais contratados subiu de R$ 5.833 em 2016, para R$ 11.500 neste ano, de acordo com o levantamento da Robert Half. O gerente sênior da Divisão de Tecnologia da empresa de recrutamento, Fábio Saad, diz que "anteriormente, o profissional de segurança fazia parte do departamento de infraestrutura. Hoje, com o aumento da importância da segurança de dados, as empresas já estão criando áreas específicas." O professor de redes computacionais do Senai, Victor Cunha, acrescenta que atualmente, a média salarial para um recém-formado é de R$ 1.500, além dos benefícios, considerando pequenas empresas. "O que vai contar muito é a experiência. Isso pode garantir por exemplo, vagas em corporações internacionais, fazendo home office", conclui. (M.O.)