"Concluímos que o policial militar cometeu o homicídio com dolo eventual. Quando o agente, mesmo sem querer o resultado, assume o risco de o produzir", explica o delegado Ricardo Jorge, titular da Delegacia de Homicídios de Londrina, a respeito da morte do adolescente Gabriel Sartori, 17 anos, registrada na tarde de 15 de junho. Ele foi baleado em frente ao colégio estadual Maria José Balzanelo Aguilera, Conjunto Cafezal, zona sul. O suspeito, policial militar Bruno Carnelos Zangirolami, morava no local e teria efetuado o disparo durante a abordagem.
Ricardo Jorge diz que o PM atirou em direção ao chão antes do projétil acertar fatalmente o jovem. "De acordo com os laudos periciais, realizados no local, o policial militar efetuou o disparo em direção ao chão. O projétil ricocheteou e acabou atingindo o tórax do adolescente", informa o delegado, ressaltando que o policial militar tentou em seguida prestar os primeiros socorros ao adolescente.
"O PM ainda permaneceu no local e chegou a prestar e a solicitar os primeiros socorros para vítima, que acabou morrendo na sequência. A intenção do policial militar era de abordar e dispersar o grupo de três jovens, que estavam fumando maconha naquele local", detalha Jorge. O delegado explica que não tem informações sobre um suposto desequilíbrio emocional do suspeito no momento do disparo.
"Não tivemos acesso ao histórico do PM e qual era o comportamento dele como servidor. Nem mesmo se na ocasião ele enfrentava algum problema. Segundo informações dos moradores do bairro, o policial militar já havia disparado um tiro em outra situação de abordagem, mas que acabou sem feridos."
Seis a 20 anos de prisão
De acordo com o delegado Ricardo Jorge, a pena para este crime é de seis a 20 anos de prisão. "Mas ela pode ser atenuada, já que o autor não desejou o resultado." Além disso, segundo o delegado, o PM tentou socorrer o adolescente com massagens cardíacas e que testemunhas garantiram que o indiciado ficou desesperado ao tentar salvar a vítima.
Segundo o repórter Rafael Machado (Grupo Folha), a pistola (calibre .40) usada por ele foi apreendida. Na semana passada, o Instituto de Criminalística emitiu laudo de que a arma não apresentava falhas, descartando a hipótese de disparo acidental. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Zangilorami. A morte do adolescente provocou um protesto simbólico dois dias após o crime. O advogado da família da vítima, Mancini Júnior, avaliou como "correto" o resultado das investigações. Ele considerou "um absurdo o militar dar um tiro ao chão para amedrontar os jovens", diz. "O ideal seria levar o trio para assinar um termo circunstanciado e não agir dessa forma." (P.M.)
De acordo com o delegado Ricardo Jorge, a pena para este crime é de seis a 20 anos de prisão. "Mas ela pode ser atenuada, já que o autor não desejou o resultado." Além disso, segundo o delegado, o PM tentou socorrer o adolescente com massagens cardíacas e que testemunhas garantiram que o indiciado ficou desesperado ao tentar salvar a vítima.
Segundo o repórter Rafael Machado (Grupo Folha), a pistola (calibre .40) usada por ele foi apreendida. Na semana passada, o Instituto de Criminalística emitiu laudo de que a arma não apresentava falhas, descartando a hipótese de disparo acidental. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Zangilorami. A morte do adolescente provocou um protesto simbólico dois dias após o crime. O advogado da família da vítima, Mancini Júnior, avaliou como "correto" o resultado das investigações. Ele considerou "um absurdo o militar dar um tiro ao chão para amedrontar os jovens", diz. "O ideal seria levar o trio para assinar um termo circunstanciado e não agir dessa forma." (P.M.)