Três quadrilhas que atuavam no roubo de veículos e residências e tráfico de drogas em Londrina e Cambé foram desmontadas em uma megaoperação policial que terminou nesta quarta-feira (21). Conforme informações do delegado titular de Cambé, Roberto Fernandes de Lima, foram cumpridos 46 mandados que resultaram na prisão de 32 pessoas e apreensão de três adolescentes. Catorze mandados eram relativos a pessoas que já estavam presas. Um homem ligado às quadrilhas foi preso em flagrante por posse de cocaína e apenas uma pessoa continuava foragida na manhã de quarta-feira.
Participaram da megaoperação 90 policiais civis, 120 militares, agentes penitenciários do SOE (Serviço de Operações Especiais) e canil da Guarda Municipal de Londrina. O helicóptero da Polícia Civil também foi mobilizado nas buscas.
As investigações da chamada Operação Égide começaram em outubro de 2017, motivadas pela guerra entre duas quadrilhas por disputa de território de tráfico de drogas em Cambé. A disputa, conforme Lima, provocou homicídios na cidade. Com o avanço dos trabalhos, foi identificada uma terceira quadrilha liderada a partir de um presídio em Campo Grande (MS) e que era responsável por entregar as drogas que os bandos comercializavam. Foi então iniciada uma segunda operação, batizada de Cerdeira.
Entre os mandados cumpridos em penitenciárias de Londrina e Campo Grande, dois eram referentes aos líderes das quadrilhas que comandavam os bandos de dentro do sistema prisional através de "gerentes" que estavam na rua. Em Umuarama, foi preso o braço direito do líder de Campo Grande. O homem acumulava sete mandados de prisão e era foragido da PEL (Penitenciária Estadual de Londrina). "Ele fugiu em uma rebelião", afirmou Lima. (Carolina Avansini/Grupo Folha)
Adolescentes roubavam os carros
O delegado informou que as quadrilhas de Cambé usavam adolescentes para roubar veículos e residências no município. "Eles ficavam de olho em carros nas garagens e, quando algo interessava, rendiam os moradores e entravam para levar os veículos e o que mais conseguissem", afirmou. Esses produtos eram trocados por drogas no MS e também no Paraguai para serem revendidas em Cambé e Londrina. O delegado destacou que os adolescentes costumavam agir com violência, amarrando as vítimas. Mencionou ainda que o adolescente acusado pela morte do motorista de Uber e universitário Flávio Martins Ribeiro Júnior, 23 anos, no início de março em Londrina, também era ligado a uma das quadrilhas. "Todos os líderes foram presos e as organizações estão desarticuladas", garantiu. O delegado relatou que, durante a operação, muitos roubos foram evitados porque os policiais identificaram as ações e foram para os locais antes que ocorressem. Além das prisões e apreensões de menores, foram apreendidos 244 gramas de cocaína, 2,448 quilos de maconha, R$ 4.020,00 trocados – possivelmente resultantes da venda de droga dos últimos dias – e um revólver calibre 38. (Carolina Avansini/Grupo Folha)