Para driblar o preço alto do tomate e da cebola, consumidor prova que é criativo e não tem frescura. Pelo menos é assim na casa do operador náutico Augusto Garbossi, 53 anos. No dia de folga, Garbossi estava em um sacolão na Avenida Saul Elkind fazendo compras e decidido: Por R$ 4,99, não dá. Muito caro e lá em casa faz uns 20 dias que não entra um tomate. "Isso porque eu rodo cinco quilômetros porque nesse sacolão é tudo mais em conta. E se a carne não tivesse tão cara, o churrasco ia ser sem vinagrete porque a cebola tá de chorar", desabafa. "Cebola por R$ 6,99? Nem pensar". Enquanto isso, Garbossi se vira na cozinha. "Ainda bem que a turma de casa não é enjoada. A gente aproveita a batata doce, cenoura, berinjela e todo tipo de verdura. A minha preferida é rúcula".
A dona de casa Lourdes Basso Teixeira, 51 anos e o marido, o técnico em saúde pública Carlos Teixeira, também decidiram boicotar a dupla tomate e cebola. "A cebola tá de chorar mesmo e dá pra passar sem." Longe da banca dos vilões da vez, o casal se entrega a produtos mais acessíveis. "Vou esperar baixar, enquanto isso substituo a cebola por salsinha e cebolinha", ensina a dona de casa Lourdes Teixeira. Moradora do Alto da Boa Vista, na casa de dona Lourdes são quatro adultos e ela diz que todos entendem a situação. Já a moradora do Semíramis, Lázara Oliveira Santos, 61, se sente na obrigação de comprar. Tudo porque o neto, Pietro Vinícius, cinco anos, não fica sem. "Vou levar três e olha que eu pesquiso, pego folheto, promoção e nesses dias tô fazendo salada com ovo cozido, chuchu, cenoura porque o tomate tá a preço de ouro", só compro o do Pietro mesmo", reflete.
"Gente, vai passar"
O gerente de supermercado Denoir Aleixo Jr., 36 anos, avisa: "Nosso preço tá melhor que muito concorrente e infelizmente não temos o que fazer porque fatores como clima e logística acabam jogando o preço lá em cima. Mas logo a cebola nacional volta pra banca e o tomate da região também, daí ele volta a R$ 1,99. Aleixo comenta que os consumidores frequentemente sinalizam o descontentamento com os preços. "Mas entendem que o comerciante não é o culpado." (WV)
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