Por necessidade ou oportunidade, novos microempreendedores ganham destaque em meio à turbulência econômica. Com experiência, criatividade e sede de vitória, acertar é preciso e o microempreendedor individual ganha espaço e apoio para lançar-se ao mercado
O número de novas empresas cresceu 3,8% no 1º semestre de 2016 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), com abrangência nacional. Sul e Sudeste foram as regiões responsáveis pelo crescimento do número de empresas e, de acordo com a Consultora do Sebrae – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Paraná, Liciana Pedroso, sempre que existe uma dificuldade financeira, o empreendedorismo ganha espaço. "Esse boom é real e ele pode surgir por necessidade ou oportunidade. Como tivemos muito desemprego nos últimos tempos, esse empreendedorismo é pela necessidade, pois sem o salário que deixou de entrar, é preciso buscar alterativas", explica.
A consultora acredita que os números podem indicar um cenário positivo. "Não quer dizer que todo o problema esteja resolvido, mas um alto grau de confiabilidade está se instalando e o crescimento é aos poucos". Com experiência, a consultora considera que o planejamento é a principal ferramenta para o negócio dar certo. "Um empreendedor deve ser persistente, flexível, estar pronto para correr um risco calculado, ser confiante, ter empatia e, com o tempo, pode se capacitar diante das dificuldades. E planejamento inclui: conhecimento sobre o produto, equilíbrio financeiro, aceitação do produto, determinação e nível de concorrência", orienta. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)
Mais que uma boa ideia
No número 52 de um centro comercial na área central de Londrina, a sala que estava fechada e para alugar, agora é ponto de venda de pão de queijo congelado. "Um quilo, 63 unidades, por R$ 10", vende Jessé Polimeni, 36 anos, o empreendedor. Até um ano atrás, a venda era feita porta a porta. "Minha mãe é minha promoter". As pessoas iam à casa da família, pediam por telefone, até que surgiu a necessidade de ter um ponto fixo. A mãe de Jessé, Iracema, alegra-se: "Olha essa cliente aqui, veio lá do Aeroporto". Com a segurança de que o produto tem qualidade, preço bom e uma carteira de clientes, Jessé explica que o condomínio e o aluguel foram assumidos com planejamento. Produzido em Cornélio Procópio, o pão de queijo foi a aposta para uma virada. "O mini eu vendo com exclusividade e comecei com 30 quilos. Hoje vendo de 1 mil a 1,2 mil quilos por semana e, embora muitas pessoas tenham sido pessimistas, a qualidade do produto e a freguesia me encorajaram". (W.V.)
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Ponto nobre, recheio também
A experiência de comerciante e o desejo de retomar um negócio próprio serviram de impulso para Daiana Deri tomar a decisão, ao lado do marido, Paulo Henrique Bispo, que era a hora de empreender. Com uma reserva de capital, curso de manipulação de alimentos e planejamento sobre o produto, o ponto e a concorrência, consideraram que um ponto fixo de venda de churros tem tudo a ver com eles e podem prosperar. "Gostamos de trabalhar com público, sabemos da aceitação do produto, sem contar que a Sergipe é a rua do povão, o comércio gira e muitos dariam a vida por uma porta nesta rua". Em parceria com uma loja de variedades, Paulo Henrique também pretende agregar ao produto, o atendimento diferenciado. "Eu sempre vendi muito bem o que era dos outros, então confio em meu potencial e vou trabalhar para que nosso churros se torne uma referência para quem vier a Londrina. Doce de leite, chocolate, goiabada, creme de avelã e o recheio surpresinha, que vai variar de semana a semana e conforme o gosto da clientela. Existem muitos carrinhos na cidade, mas acreditamos em nosso diferencial e não estamos nos aventurando em um negócio", argumenta. (W.V.)
Loja móvel, a saída
Com foco e diante de um quadro que exige poupar, reduzir despesas e garantir a satisfação da clientela, o comerciante Diego Cunha Reginato, 31 anos, resolveu inovar. "Fugi de despesas fixas como o condomínio, aluguel, funcionários e montei uma loja móvel. Vou a empresas com meu carro em horários pré-agendados e assim consigo atender as necessidades de quem não tem tempo para se deslocar e já sabe o que quer." Moda fitness, casual e calçados estão no mix de produtos de Reginato. Na ponta do lápis, o investimento em combustível é compensador. Para não dar passos em falso, Diego procurou o Sebrae. "O direcionamento do Sebrae é muito importante. Separar o jurídico da pessoa física, é fundamental", reconhece. (W.V.)