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‘Mão leve’ não perdoa nem igreja

15 set 2014 às 08:21

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Só restou o cordão que era usado para badalar o sino que anunciou por várias décadas as cerimônias religiosas na capela Nossa Senhora de Fátima, na comunidade rural Água do Cerne, às margens da PR-090, em Sertanópolis. O instrumento foi furtado há alguns dias e até agora ninguém sabe quem cometeu o crime.
Alfredo Teodoro Pires, 82 anos, cuida da igrejinha há mais de 30 anos e só notou a falta do sino na última quarta, quando cuidava dos preparativos para mais uma missa mensal. Ele conta que o instrumento era feito de bronze, pesava cerca de 60 quilos e estava instalado a oito metros de altura, embaixo da cruz. Por isso, Pires acredita que mais de uma pessoa esteja envolvida. Embora não fosse protegido por grades, o acesso à torre do sino é muito estreito, cheio de corujas e só pode ser alcançado por uma escada.
"O crime deixou todos muito tristes. O sino é um símbolo do suor deste povo e tem um valor histórico muito grande. Hoje, a comunidade possui 200 pessoas, mas já foi povoada por mais de duas mil", aponta o advogado e ex-morador da Água do Cerne, Edson Pedro Almeida. Ele explica que a comunidade foi formada na década de 1920 por famílias portuguesas, italianas, espanholas e até japonesas, que apostaram na cultura do café. "Este sino foi trazido para a Água do Cerne entre 1920 e 1930. Ele foi transportado de carroça, de Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo", complementa.
Segundo o advogado, a capela de Nossa Senhora de Fátima foi construída pelos próprios moradores, em 1950. Antes, o sino tocava na capela São João Batista, que també ficava na Água do Cerne.
De acordo com o delegado de Sertanópolis, Paulo Gomes, o sino pode ter sido derretido. "Algumas pessoas contaram que viram um homem com uma Kombi nas proximidades. O sino pode ter sido furtado e levado para algum ferro-velho ou até uma pequena metalúrgica para ser fundido e transformado em outros objetos", suspeita o delegado. Até o fim de semana, a Polícia Civil não tinha mais pistas sobre o caso. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
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