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Mais em mulheres do que homens - Artrite reumatoide atinge 1% da população

06 ago 2017 às 20:11

A artrite reumatoide é uma doença sem causa conhecida e estima-se que 1% da população mundial seja atingida – no Brasil são cerca de 2 milhões de pessoas. A doença surge principalmente entre pessoas com idade entre 40 e 60 anos e incide duas vezes mais em mulheres do que homens, especialmente aquelas que estão saindo da menopausa.
No entanto, existem casos que fogem desse perfil. O analista contábil Adimir Rodrigues dos Santos, 57, conta que aos 26 anos, quando residia em São Paulo, sentiu muitas dores no quadril enquanto caminhava. "Fui diagnosticado com artrite reumatoide em 1986. O médico achou melhor eu sair de lá, porque as condições climáticas eram muito ruins. Ele recomendou que eu me mudasse para uma cidade mais tranquila e com condições de cuidar melhor de minha saúde", relembra Santos.
Em 1987 ele veio para Londrina, aproveitando que seus pais residiam na cidade, e começou a fazer o tratamento no Hospital Universitário. "Na época fiquei abatido, entrei em depressão. Ninguém na minha família tinha essa doença", conta. Mesmo realizando o tratamento, começou a sentir muitas dores nas juntas, principalmente nas mãos. "Acabei me aposentando por invalidez em 1989. Deixei de realizar atividade física, como caminhar e correr. Os passeios se tornaram mais irregulares. Hoje faço isso bem pouco", relata. (Vítor Ogawa/Grupo Folha)


ATACAR CÉLULAS
Segundo o reumatologista Dawton Torigoe, de São Paulo, a artrite é uma doença autoimune em que o próprio sistema imunológico da pessoa começa a "atacar" as células e tecidos do próprio organismo.
"Não está bem estabelecida a causa, mas sabe-se que fatores genéticos tornam mais frequentes a incidência da doença e ela pode ser desencadeada também por fatores ambientais externos. O tabagista, por exemplo, tem mais chance de ter artrite reumatoide. Se tem algum caso na família, não fume. A exposição a alguns vírus e bactérias também pode desencadear a doença em algumas pessoas", aponta o especialista.
Santos, por exemplo, era fumante e abandonou o cigarro em função da doença. "Não acho que no meu caso isso tenha sido o fator determinante para desencadear a doença, mas parei de fumar para que os sintomas não evoluíssem ainda mais", observa.
Santos relata ainda que no frio sente mais dores. "Quando cai a temperatura eu sinto bem mais. Nesse período as juntas travam. É terrível", explica. Segundo o especialista, o aumento dos sintomas no frio não é uma regra. "Alguns pacientes acham que pioram, alguns melhoram no frio."
O reumatologista aponta ser importante procurar o tratamento com um especialista o mais rápido possível, assim que sentir os primeiros sintomas. "Quanto mais rapidamente você trata, melhor a resposta no futuro. Se dividirmos as pessoas com a doença em dois grupos, um que começou a tratar em duas semanas depois dos primeiros sintomas e outro que começou a tratar dois meses depois disso, mesmo que os dois recebam os mesmos remédios, o que iniciou o tratamento mais cedo vai evoluir melhor ao longo dos anos", observa.
Segundo ele, o tratamento hoje consiste fundamentalmente no uso de quimioterápicos, imunossupressores, como os utilizados no tratamento de alguns tipos de câncer, mas em doses mais baixas. "Também se usa muitos corticoides, em doses bastante baixas. Já os anti-inflamatórios são usados por períodos curtos de tempo, pois a doença é crônica e eles geram muitos efeitos colaterais, pois atingem o fígado, o rim e o estômago, que pode apresentar sangramento. Além disso, o uso de anti-inflamatórios aumenta o risco de infarto", alerta. (V.O.)

30% não respondem ao tratamento inicial
A reumatologista Adriana Maria Kakehasi, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e especialista em Reumatologia pela Sociedade Brasileira de Reumatologia, destaca que existem medicamentos com o mesmo mecanismo de ação e outros que agem de forma diferente. "Há um fluxograma de tratamento e cerca de 30% dos pacientes não respondem ao tratamento inicial. Eles precisam fazer uma progressão do tratamento e a disponibilidade de medicamentos que agem de forma diferente facilita o tratamento. Isso porque caso o paciente não responda a um medicamento, pode haver resposta com outro. Além disso, existem pacientes com contraindicações a um determinado tratamento", explica. O analista contábil Adenir Rodrigues dos Santos, que está aposentado por invalidez em função da artrite reumatoide, confirma que muitas vezes o paciente não se adapta a determinado medicamento. "Eu, por exemplo, tenho alergia a um medicamento e preciso usar outro. Se tivesse que comprar na farmácia teria de pagar R$ 7 mil a ampola e eu tomo quatro delas a cada seis semanas. Eu não teria condições de comprar se eles não fossem fornecidos pelo governo. Eu travaria na cama", aponta.
Santos pede que o governo autorize com mais agilidade e em mais vezes os tratamentos alternativos, como a acupuntura. "Para mim a acupuntura ajuda muito, mas no SUS (Sistema Único de Saúde) a espera é imensa. Eu acabo fazendo uma vez por semana por conta própria", expõe. (V.O.)


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