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Mais do mesmo - Barulho e desordem incomodam muita gente

08 set 2016 às 10:35


Passava da uma da madrugada da última sexta para sábado, quando a aposentada P.R, 70 anos, que prefere não se identificar por medo de represálias, saiu de seu apartamento e confrontou um grupo de 15 jovens que cantavam e tocavam instrumentos na praça Primeiro de Maio, onde fica a Concha Acústica, centro de Londrina. De um lado, os frequentadores, do outro três viaturas da Guarda Municipal e no meio, a senhora. "Liguei para a Guarda e desci pedindo o atabaque que usavam. É um absurdo a falta de respeito e o empurra-empurra das autoridades. O show do Eduardo Dusek terminou às 21h30, por sinal foi muito bom. Acabaram de desmontar os equipamentos perto de meia-noite e meia, mas precisa ter limite. Aqui moram pessoas idosas, trabalhadores e já passou da hora de uma atitude legal ser tomada. Estamos revoltados", queixa-se. A servidora pública Edna Rodrigues concorda com a moradora. "Sem contar o quanto toda essa sujeira que fica para nós até o dia seguinte e esse barulho desvalorizam nossos imóveis. Um inquilino meu pagou multa, deixou o imóvel e disse que se soubesse que isso era assim, jamais teria alugado", relata. "A Guarda Municipal deveria fazer ronda para inibir práticas abusivas. Muitos moradores e comerciantes se calam, fiquem quietos e acabam se mudando porque a Lei não é cumprida. Isso é uma negligência e ficamos reféns", ressente-se.
A aposentada P.R, complementa: "Sou sozinha, cheguei acolher 420 assinaturas para que o uso da concha seja responsável, não extrapole o que a diz a Lei do Sossego, mas o Ministério Público nada vez. Já são oito anos assim. Todas as sextas algazarra, sujeira e a Guarda Municipal também não cumpre o seu papel, que é o de zelar pelo Patrimônio. Olha como está o entorno. Até a Secretaria de Cultura já foi alvo das pichações", diz.
No dia seguinte ao evento, garrafas, copos e muitos folhetos de papel da programação do Festival Internacional de Londrina (Filo), tomavam o local. Para a professora aposentada Olésia Santoni, a imagem é deprimente. Ela conta que saiu para passear com os cachorros na praça, mas desistiu. "Tenho dó das pessoas que moram aqui. Uma amiga minha mora no primeiro andar do Centro Comercial. Todas as sextas faz a mala e vai para a casa de uma das filhas. É um transtorno. Não ir para a casa da filha, mas ter que deixar a própria casa sem que seja por vontade própria. Não dá pra acreditar no descaso", aponta, ao mesmo tempo em que observa, atônita, a sujeira sendo recolhida pelos funcionários da limpeza municipal. A costureira aposentada Rosalina Ramos Teixeira, 80 anos, é favorável aos eventos na Concha, mas com condições. "Desde que respeitem o horário. Gosto de música, isso foi feito para se divertir. Só não desço porque minhas pernas não deixam. Moro de fundo e, quando o barulho incomoda demais, fecho tudo e não reclamo".

Guarda Municipal confirma reclamações
De acordo com o Supervisor da Guarda Municipal, Nerildo Medeiros, o monitoramento é feito via câmeras de vigilância. "A Guarda acompanha as ações por meio de videomonitoramento e atendemos solicitações de reclamações quando há perturbação do som. As viaturas são enviadas para o local dependendo do número de pessoas presentes por conta de nosso efetivo." Sobre o número médio de reclamações o supervisor não soube precisar. "Mas as reclamações chegam". Sobre a aferição do som, Medeiros respondeu: "A aferição do limite de decibéis - se é respeitado ou não - deve ser feita pela Secretaria de Meio Ambiente."

Programação do Filo foi entregue de mão em mão
De acordo com a organização do Filo, pela imagem observada, trata-se de material distribuído ao público durante o show. "Entregamos como é feito em todos os espetáculos, para todas as pessoas sentadas, mas pelo que se vê, elas jogaram no chão. Não deveriam, pois é um guia para acompanhar os espetáculos e geralmente as pessoas carregam para cima e pra baixo. Não deveriam ter jogado no chão. Uma pena."


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