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Maio amarelo ou vermelho? - No mês da conscientização, trânsito é violento em Londrina

20 mai 2018 às 20:30

A Campanha Maio Amarelo foi criada com o objetivo de chamar a atenção da população para o alto índice do número de mortos e feridos no trânsito. No entanto, as estatísticas mostram o contrário, principalmente este mês, que seria o da conscientização, mas virou um maio vermelho de sangue. Os acidentes seguem acontecendo em larga escala, provocados pela imprudência e desrespeito às leis de trânsito. Mesmo com as campanhas, os motoristas continuam bebendo e dirigindo, furando semáforos e fazendo das ruas verdadeiras pistas de corrida. Do dia 1 até o dia 18 deste mês, os Bombeiros registraram 197 ocorrências, sendo 21 atropelamentos, 14 choques contra postes, 109 batidas e 51 quedas . Os motociclistas estão envolvidos em 68,3% desses acidentes.
Nos quatro primeiros meses do ano em Londrina, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) registrou um aumento no número de óbitos, comparado com o mesmo período de 2017, quando ocorreram 26 mortes. Este ano, foram 33 até sexta passada (18). Desse total, 13 vítimas eram motociclistas, em sua maioria homens com idade entre 18 a 30 anos.
Entre casos de irresponsabilidade ao volante, um dos casos de maior repercussão foi o acidente na Av. Dez de Dezembro, no feriado do Dia do Trabalhador, em que Jean Camargo, de 29 anos, e Eliede Oliveira, de 42, estavam a bordo de uma moto no semáforo com a Avenida Guilherme de Almeida quando foram atropelados por Daiane Cristina Freire, que estava embriagada e bateu na traseira da moto. As vítimas foram arremessadas e morreram na hora.
No dia 14 de maio, a vítima foi o jovem Wellington Aparecido da Silva Fraga, de apenas 19 anos. Ele morreu na rua Anuar Caran com a rua Félix Chenso, no conjunto Semiramis. Após cruzar a preferencial, ele bateu contra um carro e morreu na hora.
Qual a razão para o alto número de acidentes envolvendo motociclistas? Segundo o especialista em trânsito, Major Arnaldo Sebastião, hábitos de direção diferentes entre carro e moto pode ser um dos motivos. "Na verdade a moto deve se comportar igual a um carro. Em uma fila de veículos, ela fica atrás do carro, por exemplo, e não ao lado, no chamado corredor. O motociclista não tem essa percepção. Para ele não existe Código de Trânsito, sendo que as regras são as mesmas. Ela (moto) não pode achar que tem prioridade.", disse o Major. Ele sinaliza o fato da maioria das vítimas serem jovens como uma característica psicológica da idade. "Tem a questão da juventude, da adrenalina. O jovem é mais afoito e mais corajoso. Acha que tem o reflexo melhor, que sempre vai conseguir passar, que dá tempo. Esse excesso de confiança contribui para uma fatalidade", completa.

ABUSO ENTRE OS RADARES

O município tem 18 radares espalhados pela cidade. Ironicamente, as vias que possuem os equipamentos continuam sendo as campeãs de ocorrências desde o início do ano: Avenidas Dez de Dezembro (47), Brasília (35), JK (28), Saul Elkind (50) e Tiradentes (28). "O motorista comete a infração mesmo sabendo que tem radar naquela via. Na maioria das vezes o acidente não acontece no trecho do radar e sim no intervalo de um para o outro. O cidadão toma cuidado naquele ponto, nos demais continua acelerando", constatou o coronel, que descartou, pelo menos no momento, a instalação de novos aparelhos. Das 52.938 autuações entre janeiro a abril em Londrina, 27.986 foram de excesso de velocidade.
Segundo dados de abril do Detran-PR (Departamento de Trânsito do Paraná), Londrina conta com uma frota de 376.076 veículos, sendo 226.592 carros (60,25%) e 61.687 motos (16,45%). (E.N.)


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