Moradores da rua Alexander Graham Bell, Zona Oeste de Londrina, estão indignados com a falta de educação de quem pensa que o espaço público é lixão. Se um carro abandonado na via já estava dando o que falar, o sofá largado na calçada foi como provocação. O motorista Sérgio Crispolin, 45 anos, é um cidadão contrário a esse tipo de atitude. "Isso junta rato, barata, sem contar que é um desconforto para os pedestres que precisam dividir o espaço com o o trambolho." Morador do jardim Alvorada, em Cambé, Crispolin considera o modelo de sua cidade a ser seguido. "As pessoas se programam e colocam na porta de sua casa o que não querem mais e um caminhão da Prefeitura retira. Isso funciona. Agora um caso desses, tinha que filmar e fazer o responsável tirar a limpar o lixo acumulado", dá a bronca.
A porteira Zilda Morita, atenta à circulação da Alexander Graham Bell, não sabe precisar há quanto tempo a lata velha encalhou, mas o discurso tá na ponta da língua: "É um estorvo. Moro na zona norte, lá nos Cinco Conjuntos é assim também. Isso acontece direto e os terrenos de esquina são o principal alvo. A Prefeitura limpa, recolhe, e logo vem um e começa a pilha de lixo. É muita falta de educação e consideração com os vizinhos, porque atrai insetos e desvaloriza a área", diz. Sem querer ter seu nome identificado, o porteiro de um condomínio residencial comenta que as calçadas estão todas largadas. "Essa calçada é um sabão, além de toda esburacada", aponta. "No dia do recape da rua, tiveram até que colocar esse carro na calçada e depois devolver para onde o dono abandonou", relata. Outro porteiro cansado de ver a folga de quem não zela pelo bem comum solta: "Isso é uma falta de vergonha do morador. Uma pessoa que não tem escrúpulos", resume.
A reportagem localizou o condomínio onde vive o proprietário do carro e o porteiro informou que no momento ele não se encontrava. O síndico Arthur Roberto Feijó, 61 anos, mora há oito anos no bairro e diz que não consegue se acostumar com tanta falta de respeito. "Até um colchão foi jogado esses dias e nós temos que nos reunir entre os condomínios e pagar para limpar as calçadas. Até as que não são nossas", explica.

O sofá todo estrupiado está largado na calçada da mesma rua há tempos
Serviço: A Companhia ressalta que o descarte do sofá poderia ter sido feito no Ponto de Entrega Voluntária (PEV, rua Capitão João Busse, jardim Nova Conquista. O espaço recebe resíduos verdes, sofás, colchões, recicláveis, madeiras e entulho. O funcionamento do PEV é de segunda a sexta, das 8 às 17 horas, e aos sábados, das 8 às 12horas. (W.V.)
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU) informou que não havia recebido reclamações da comunidade sobre o carro estacionado há tempos na rua Alexander Graham Bell. "A legislação municipal proíbe o abandono de veículos em via pública e, nestes casos, a fiscalização do Código de Posturas busca fazer a identificação do responsável." Agentes da CMTU foram até o local e identificaram o proprietário do automóvel. "Agora, ele será notificado pela Companhia a fazer a remoção do carro, podendo ser multado em até R$ 3 mil caso a retirada não ocorra dentro do prazo previsto em lei, 15 dias úteis." Sobre o sofá descartado clandestinamente, a CMTU informou que os fiscais responsáveis averiguaram a ocorrência. "A legislação municipal determina que a responsabilidade sobre o serviço de limpeza e manutenção dos terrenos particulares (incluindo a área de calçada) é do proprietário do imóvel, e a Companhia notificará o dono sobre a irregularidade. Caso o despejo irregular tivesse sido flagrado pela fiscalização da CMTU, o sujão poderia pagar multa que varia entre R$ 100 e R$ 3 mil, além de o descarte poder ser enquadrado como crime ambiental, cujas autuações podem ultrapassar
R$ 1 milhão." (W.V.)