Segundo relatos dos moradores, imóveis são arrombados quase que diariamente no Jardim Montecatini, no extremo leste de Londrina. Aparentemente despreocupado com qualquer castigo ou condenação, um grupo criminoso age em plena luz do dia, quando os proprietários estão "garantindo o ganha pão" no trabalho. "Acostumada" a ouvir sobre casos de furtos e arrombamentos, a população foi surpreendida com uma ação pra lá de cruel no início da semana, quando um vigilante foi baleado na cabeça em uma tentativa de roubo.
"Tentaram entrar duas vezes na minha casa, mas não conseguiram. A residência ao lado da minha foi invadida recentemente, os bandidos levaram a TV e outros objetos dos moradores", conta a comerciante Letícia Pereira. "Isso é bem comum aqui. Eles (ladrões) aproveitam que o morador sai para trabalhar e fazem o que querem dentro das casas", diz ela. "Infelizmente, o Montecatini é novo e está distante dos outros bairros. Os bandidos encontram facilidade para fugir, pois podem usar a BR-369 ou a estrada de terra no fundo do bairro, que vai até a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)", conta.
Por ser um bairro com casas recentemente construídas, alguns moradores não se conhecem, o que facilita o "serviço" dos marginais. "Na semana passada, estávamos saindo de casa quando vimos homens dentro da garagem de um vizinho. Estavam até com um carro dentro do quintal. Não conhecíamos muito bem os donos da casa e achávamos que eram os próprios moradores do imóvel. Só depois é que ficamos sabendo de que na verdade eram ladrões", relembra a professora Jaqueline Santiago.
Até mesmo quem vai ao Jardim Montecatini a trabalho se torna alvo dos arrombadores. O construtor de casas Eduardo Bueno teve um prejuízo considerável na semana passada. "Como estávamos em processo de construção, deixávamos tudo dentro da residência, já que retornaríamos no dia seguinte. Mas num deles, quando cheguei para trabalhar, percebi que tinham invadido a casa e levado todas as minhas ferramentas. Meu prejuízo passou dos R$ 4 mil", relata Bueno. Segundo os moradores, os suspeitos estariam usando um veículo Fiat Tipo para agir no bairro.
O NOSSODIA encaminhou a situação ao 5° Batalhão da Polícia Militar de Londrina, responsável pelo patrulhamento da região. O capitão Mário Celso Andrade destaca que qualquer um da população pode solicitar apoio policial. "Toda a comunidade tem o direito de se aproximar e solicitar reforço de policiamento. O nosso comando está sempre à disposição da comunidade. Agradeceremos pelo contato, pois o morador possui informações privilegiadas do que acontece em seu bairro", destaca.
Sobre o número de ocorrências atendidas pela PM no Jardim Montecatini, Andrade explica que não pode divulgar a quantidade devido a uma recomendação interna. "Podemos marcar reuniões com a comunidade na sede do 5° Batalhão ou diretamente no bairro. Basta que o interessado faça o agendamento pelo telefone 3372-2000. Durante as reuniões, procuraremos orientar os moradores, que nos apoiam com informações importantes da região. Desenvolveremos ainda formas para agilizar a comunicação. Como a criação de grupos no WhatsApp, que além da PM, aproxima os próprios vizinhos." (P.M.)
O caso mais grave registrado no Jardim Montecatini ocorreu na noite de domingo. Uma tentativa de latrocínio (matar para roubar). Um vigia, de 41 anos, foi baleado enquanto trabalhava em um condomínio do bairro. A vítima teria sido abordada por dois suspeitos, que a balearam na cabeça. A dupla teria roubado a carteira e fugido com a motocicleta do vigilante. A vítima foi socorrida pelo Siate e encaminhada ao Hospital Universitário (HU). Segundo a assessoria do centro médico, ele não corria risco de morte e já teria recebido alta.
O caso é investigado por policiais civis da 10ª Subdivisão Policial (SDP). O trabalho de apuração é coordenado pelo delegado operacional João Batista Reis. "Uma equipe está nas ruas em busca de informações sobre o crime, que inicialmente é tratado como roubo. Antes da conclusão do inquérito policial, não podemos divulgar qualquer detalhe sobre os suspeitos para não atrapalhar as investigações. Acreditamos que os envolvidos sabiam que a vítima exercia a função de vigilante no bairro", explica Reis. (P.M.)