Muitos afirmam que nunca é tarde para estudar e boa dose de coragem é fundamental para colocar a teoria em prática. Reportagem do NOSSODIA traz um pouco da experiência de adultos quem saíram do comodismo, quebraram a rotina e, com apoio de familiares, força de vontade e sede conhecimento, estão em busca de uma formação melhor. A EJA (Educação para Jovens e Adultos) é o caminho para muitos."A Educação é o caminho", aponta o educador Ivonir Rodrigues Ayres.
Com dois filhos pequenos e ciente das portas que se fecham a cada dia, a estudante Jéssica Amaral da Silva, 25 anos, busca a conclusão do Ensino Fundamental. Para ela, conciliar a rotina de estudos com as outras obrigações é muito difícil. Mas, diante das exigências do mercado, tem se esforçado para ter ao menos o sonhado segundo grau completo. "Vendo pães de mel na escola e já perdi muitas oportunidades porque não tenho o mínimo da escolaridade exigida", conta, lembrando que sua maior motivação é justamente uma posição profissional e social melhor.
Já a dona de casa Maria Cristina da Silva, 41 anos, explica que sua iniciativa partiu da lida com as tarefas de seu caçula, Thiago. "Os meus filhos mais velhos têm 22, 20 e 16 anos. Quando eram menores eu trabalhava fora, então não me deparava com minhas dificuldades". Maria Cristina estudou até o chamado quarto ano primário. "Morava em fazenda, a escola era a sete quilômetros". Naquela época, não tinha noção do que isso poderia representar em seu futuro. "Meu nível de compreensão hoje é outro. Levo assuntos para casa e as conversas com meus filhos são mais ricas", afirma. Cristina retomou os estudos em 2017. Superou o medo, a vergonha e incentiva as pessoas que querem aprender mais. "Até minha autoestima é outra. Era como se eu olhasse para um relógio, visse um monte de números, mas não sabia que horas eram. Tenho muita vontade e não quero aprender 50%. Quero por inteiro", enfatiza. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)
José: mais seguro, com
letra e leitura melhores
José decide por os pingos nos "is"
Foi aos nove anos de idade que o aposentado José Aparecido do Amaral, 53 anos, colocou o primeiro chinelo nos pés. A infância humilde e outros fatores não permitiram que prosperasse nos estudos. Casou-se jovem, sempre honrou o sustento e incentivou o estudo dos filhos. O mais velho, Alexandre de Aguiar Amaral tem 32 anos, é formado em Ciências da Computação pela UEL e possui ainda doutorado. O título faz perder o fôlego e enche de orgulho José. O mais novo, Claudinei, tem 28 anos, é empresário e, ao reconhecer todos os esforços do pai, incentivou sua retomada aos estudos. O último emprego de José foi como porteiro. "Eu tinha vergonha não só da minha letra, mas tinha dúvida se a palavra era com Ç, SS ou um S", admite. "Hoje, já sei que uma vírgula muda o sentido da frase. É claro que alguns costumes de 50 anos a gente não muda de uma hora para outra. Mas leio melhor, estou mais seguro, descobri que amo estudar e principalmente que para formar uma opinião é preciso conhecimento". (W.V.)
Jéssica Amaral da Silva, 25 anos, busca
a conclusão do Ensino Fundamental