O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Sebastião Ramos dos Santos Neto, informa que encaminhou um ofício ao promotor e garante que avanços ocorreram nos últimos dias. "Alguns casos dependem de perícias, mas conseguimos sanear a maioria dos inquéritos que, em breve, devem ser encaminhados ao Ministério Público", promete.
Raio-X dos números
Janeiro, o mês da chacina, foi o mais violento de 2016, com 26 mortes, seguido por dezembro (21) e novembro (14). Domingo concentrou a maior quantidade de mortes (29). Os dados apontam ainda que 20 pessoas foram mortas na terça-feira; 18 no sábado e 15 na sexta-feira. A maioria dos casos ocorreu durante a noite (45) ou de madrugada (32). Mas 32 ocorrências foram registradas em plena luz do dia, sendo 18 durante a tarde e 13 pela manhã.
Mais de um terço das mortes violentas ocorreu na zona norte (42), mais recorrentes em bairros como Novo Amparo, Violin, Vivi Xavier e Santiago. A zona leste aparece em seguida com 27 mortes, a maioria nos jardins Monte Cristo e Marabá. Na zona sul foram 25 mortes, com prevalência no União da Vitória, Cristal, Franciscato e Cafezal. A zona oeste concentrou 12 casos, seguida pela região central, onde 10 pessoas foram mortas.
Das 116 pessoas que morreram de forma violenta, 100 foram por arma de fogo, nove esfaqueadas, quatro por espancamento, uma por asfixia e outros dois casos ainda seriam investigados. Na lista de mortos, os homens são maioria absoluta: 118 contra oito mulheres. No quesito faixa etária, os jovens com idade de até 29 anos somam 58% do total. Neste contingente, estão nove adolescentes, dois de 14 anos. (P.M. e C.F.)
Os números diferem dos dados oficiais, que não computam casos de confrontos e de mortes posteriores, ocorridas em unidades de saúde. A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) ainda não fechou o relatório estatístico de 2016. O documento mais recente do órgão aponta 49 homicídios em Londrina até o terceiro trimestre do ano passado, 10 a menos que o levantamento do Grupo Folha, excetuando-se os confrontos. Casos de latrocínios como o da aposentada Alice Capellari, de 66 anos, assassinada em janeiro de 2016, na Avenida Bandeirantes (área central) ou o do comerciante Joel de Paula, em setembro, na zona norte, não constam no relatório. O delegado-chefe da 10ªSDP, Sebastião Ramos dos Santos Neto, admite que as estatísticas podem conter inconsistências pontuais, que devem ser corrigidas na versão final do relatório. Pelo sistema, o boletim de ocorrência do comerciante foi enquadrado como "homicídio qualificado" e o da aposentada, como "morte a apurar; indícios de crime". "O latrocínio foi investigado e os responsáveis foram rapidamente presos, mas como os dados são transmitidos pelo sistema computadorizado, um campo mal preenchido pode gerar essas inconsistências", diz o delegado.
Por meio de nota, a Sesp informa que não reconhece como oficiais os números apresentados na reportagem. Segundo o órgão, os dados estatísticos referentes ao ano de 2016 em todo o Paraná, elaborados pela Coordenadoria de Análise e Planejamento Estratégico (Cape), serão apresentados nas próximas semanas. (P.M. e C.F.)